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Caldas do Gerês

Outras informações...

SlideShow das Caldas do Gerês

As Histórias das Caldas do Gerês

Onde ficar...

Águas do Gerês - Hotel, Termas  & Spa

 

43 km a NE de Braga.

Pertencem à freguesia de Vilar da Veiga que tem 1550 habitantes e faz parte do concelho de Terras de Bouro, distando da sede concelhia 20 km.

Situam-se na margem esquerda de um riacho homónimo da serra onde nasce a 468m de altitude, numa estreita garganta entre duas montanhas que rapidamente atingem os 900m. Protegidas dos raios do Sol durante quase todo o dia e rodeadas de denso arvoredo, as Caldas desfrutam de uma reconhecida amenidade de clima mesmo nos dias tórridos do Estio. Igualmente estão isentas quase por completo do assalto desabrido dos ventos.

 

Vale das Caldas do Gerês Caldas do Gerês - claustro

A estância termal é constituída fundamentalmente por uma avenida densamente arborizada aconchegada a urna encosta abrupta de vegetação exuberante e fronteira a uma montanha com uma densíssima mata de pinheiros. No topo da avenida abre-se um frondoso parque rico em espécies arbóreas e com canteiros ajardinados. As nascentes termais brotam no sopé dum escarpa quase vertical constituída por um granito porfiróide de cor rósea. As duas mais importantes são a Fonte Forte onde a água brota a 42 Cº e a Fonte da Bica com a água à temperatura de 42,5 Cº - esta é notável sobretudo pela sua fluoretação sódica, sendo administrada por via oral. O tratamento termal, que implica cuidada vigilância médica, está indicado nas doenças de fígado e vesícula biliar, incluindo a litíase. A época termal vai de 15 de Maio a 15 de Outubro.

 

Um hotel. Uma rua.

A uns 8 km a N encontra-se a Portela de Leonte, a 875 m de altitude, situada entre os cumes do Pé do Cabril e o maciço da Borrageira, com a sua formosa cascata ou frecha na bacia do Homem. Uns 4 km mais a N encontra-se o lugar de Albergaria, uma bacia relativamente larga, toda ela coberta por denso arvoredo, protegida sobretudo a E por um cenário de montanhas sugestivamente decorativo; nela se situa um posto de piscicultura com um fervilhar de trutas em viveiro.

 

Umas Termas... Hotel Universal.

A 2 km a N atinge-se a histórica Portela do Homem, a 822 m de altitude, numa garganta que desce para a Galiza; foi este posto fronteiriço atravessado em 1384 pela hoste invasora de Henrique de Trastâmara obrigada a retroceder acossada pelos pastores e pelos frades guerrilheiros comandados pelo abade de Santa Marta do Bouro, e a 6 de Junho de 1828 pelas tropas liberais sob o comando do futuro marquês de Sã de Bandeira após o fracasso da revolução liberal de 1828.

 

Restos de outrora... Rua de trás.

A NE das Caldas, a 6 km e a 829 m de altitude, surge a Pedra Bela, constituída por um aglomerado de penedos graníticos sobranceiro ao desfiladeiro das termas, dele se desfrutando um panorama de beleza arrebatadora. No sentido E, a 10 km, depara-se com a cascata do Arado, na qual as águas se precipitam de degrau em degrau refervendo em taças sucessivas. Do pico da Borrageira, a 10 km no sentido NE, constituído por um colossal amontoado granítico, que atinge os 1433 m, obtém-se uma vista de todo o Minho e de parte da Galiza.
Rio Gerês... Depois da tempestade...

 

Vale de Albergaria

Vale de Albergaria, Gerês -ponta seca, 1925

 

A zona mais acessível e interessante da serra [do Gerês] é a parte florestal da bacia do rio Homem, entre a Portela de Leonte e a Portela do Homem. Local a visitar sempre - Albergaria.

Um pouco antes da Portela de Leonte há uma formosa cascata (ou «frecha», como dizem por aí os serranos). junta-se por esta altura o carvalhal que de ambos os lados vinha descendo do alto. É através desse bosque primitivo que segue a nova estrada.

A Portela de Leonte (875 m de alt.) é um verdadeiro desfiladeiro tendo tanto do lado do poente (Pé do Cabril) como do nascente (maciço da Borrageira) imponentes massas de rochas por onde a vegetação aproveita todas as fendas. (O Gerês, afluente do Cávado, e o Leonte, afluente do Homem, têm as suas nascentes junto dessa portela.) Na descida, ouvem-se a cada passo os sussurros das cascatas.

Entre os flancos da Bergiela e de Corneda, coroados de imponentes massas, a ribeira de Leonte debate-se entre tumultuosas penedias.

É “...em Albergaria que se encontram os mais impressivos aspectos da floresta.” O vale é fechado por altas muralhas de montanhas, que, sobretudo para nascente, formam um cenário de grande decoração: o Lagademos, cónico e aguçado como um pico vulcânico, o Pé da Reigada, semelhante a uma coroa carolíngia, o Cantarcho, formidável fortaleza medieval cheia de torres derrocadas, arcos partidos, cubelos, e vertiginosos panos de muralha a prumo sobre o vale. Estes altares de granito, glaucos e rosados de tão limados que estão dão uma solenidade mágica à vigorosa floresta que alastra pelo vale, sobre as encostas, trepa pelas fendas abertas nas paredes, e de novo espraia em planos mais elevados, e volta a formar maciço em cada degrau do anfiteatro.  Assim como delimitam o vale, parece que igualmente o fecham no tempo; cá em baixo, na solidão da floresta, ante o rumorejar das águas, sobre as alfombras dos musgos, a alma do caminhante sente-se recuada nos séculos e involuntariamente evoca as daliaidas entre aquele improfanado cenário druídico.

O vale está riscado de bons caminhos, entre eles um trecho da antiga calçada romana de Braga a Astorga (aqui conhecido pelo nome de Geira).  Em vários pontos - Portela do Homem, Albergaria, Ponte Feia, etc. - há marcos miiliários, com inscrições. Na solidão da serra, dir-se-iam sentinelas sobreviventes de um exército morto, agrupando-se uns contra os outros, como para se protegerem da solenidade e do silêncio.

O que é inolvidável neste percurso é a impressão de beleza e de solidão. A floresta com os duros e arrojados remessos de penedia oferece a cada passo estranhas sugestões de pujança selvagem e originária. Nesse género de paisagem não deve encontrar-se em Portugal nada de comparável. É ver, por exemplo do alto de Palheiros, o carvalhal de Beringela ou os maciços de penedia, ao mesmo tempo caótica e escultural que se sobrepõem no sítio impressivo de Albergaria. Em certos instantes, tem-se a impressão de que vai surgir do interior da serra a figura de algum atiacoreta ou o vulto solene de Zaratustra.

Nuno Cruz