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Descrição dos Banhos

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N.° 1

ALMAS

A casa do n.º 1 tem uma figura paralelográmica de 15 pés de comprido e de 5 ½ de largo; é forrada e coberta de telha, dividida por um perpianho da casa do 2. ° banho, de altura e segurança suficiente, e todo rebocado, à excepção do lado da Penha donde exsuda alguma água, que dificultosamente se poderá estancar; é protegida por uma porta segura, sem fechadura; tem um assento de pedra do lado da casa contígua e um cabide do mesmo lado para dependurar as roupas; tem espaço suficiente para os enfermos se despirem, limparem e vestirem, tudo obra do plano da nova reforma. Consta que antigamente este banho e o 2.° formavam um só, feito com as esmolas dos benfeitores e que por esse motivo se lhe tinha gravado sobre a porta a inscrição seguinte: “Quem entrar neste banho rezará um Padre-nosso e uma Ave-maria pelas Almas”, donde lhe veio o nome, que ainda hoje conserva, cuja inscrição se destruiu pela reforma de 1815. Com o andar dos tempos dividiu-se este banho em 2, por meio de um perpianho furado, baixo, e mal seguro que devassava um outro banho, ficando com uma única porta comum a ambos e fronteira aos tanques e com pouco ou nenhum espaço em roda dos mesmos tanques, de telha vã, mal reparados, e o primeiro acanhado com uma escada pertencente às casas com que parte do mesmo lado, faltando-lhe dois passos para nivelar com a fronteira das casas como hoje se pode ver, até que em 1815 foram reduzidos um e outro ao perfeito melhoramento que fica descrito.

Depois da repartição deste banho em 2, muito povo ficou a chamar, indevidamente, ao n.º 1 — banho fresco. Ainda hoje não é possível fazer esquecer esta denominação e reservaram para o segundo a denominação — d’Almas — para fixar de uma vez as ideias, para conservar a denominação antiga e não aplicar indevidamente o nome de fresco a um banho de 96 graus ainda por cima que, quando muito, (segundo Macard), só lhe competiria a denominação de temperado. Pelo mesmo plano fixei para o n.º 1 a denominação de — Almas — com o que daqui em diante fica assinalada e para o 2. a denominação de – Santo António.

A Casa do n.º 1 contem um tanque de figura quase paralelográmica de 4 pés de largo, e de 5 ½ de comprido e de 1 de profundidade, todo de cantaria, e do lado do Nascente contíguo com a Penha; tem a sua Nascente privativa do mesmo lado, no ângulo do lado das casas, cuja quantidade é medíocre gastando 2-3 horas para se encher; a sua temperatura não é das mais subidas, nem das mais inferiores daquelas Origens.

Este tanque, tanto pela sua temperatura ser normalmente igual à do calor da Maquina Animal, como pela crença que o povo cegamente tributa à Virtude de suas águas, ou ao seu local, com preferência aos outros, e certamente o de mais uso naquelas Caldas, acha-se apenas de vago durante a sua enchente. Ele tem capacidade para receber, comodamente, 4 pessoas a banharem-se. A sua temperatura normal é de 96 graus; tem todavia as suas variações segundo está mais ou menos cheio; segundo se tem banhado maior ou menor número de pessoas; segundo o estado de temperatura do ar, e, finalmente, segundo se conserva a porta mais ou menos tempo aberta ou fechada.