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Descrição dos Banhos

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N.° 2

SANTO ANTÓNIO

A casa do n.º 2.°, contígua à do n.º 1 e a do n.º 3.° tem uma figura paralelográmica igualmente bem forrada coberta de telha, rebocada, e fechada com uma porta sem fechadura; por cima da porta está marcada o n.º 2. Tem duas frestas para dar luz à mesma casa; bem como a do 1.° por cima do perpianho que as separa.

A mesma casa é contigua à Penha da banda do Nascente, e desta mesma parte, no ângulo da parte do Norte, brota a nascente chamada — da Bica — que, apanhada na mesma rocha e conduzida pelo mesmo lado encostada à parede da casa n.° 3. ° por um cano de pedra rebocado e reunido com machas femias na extensão de 16 pés, até se lançar à frente dos Banhos, onde cai por um bocal de ferro, de onde se bebe; o resto é recebido em uma pia redonda guarnecida de um crivo de ferro para impedir as imundices, e reconduzida novamente para o interior, dividindo-se em duas partes desiguais: a maior vai encher o tanque n.° 3.° e a menor o tanque n.º 2.°. Em ambos cai por uma biqueira de ferro. Esta repartição de água pode graduar-se à vontade. Na fronteira desta casa, no intervalo que medeia entre a porta e a esquina da casa n.° 3.°, cai, como se disse, a água donde se bebe, (…) sem ter perdido a sua temperatura. Esta nascente, tirando a do Forte, é a mais abundante. Sobre este local encontra-se a denominação — Bica — G.r — 110. F.. Sobre esta inscrição está embutido na parede, em figura oval, o Escudo das Armas Portuguesas belamente pintado, guarnecido inferiormente com a inscrição seguinte; «Feito à custa do Doutor Provedor da Comarca de Guimarães, e Colocado em Agosto de 1816»;

Quando o Rei, antes Pai, chamar se deve,

Me sempre Philantropo o Magistrado,

Asim == Barroso ==desta fonte a ideia,

Bebeu na fonte do Real Cuidado.

1816

 No lugar correspondente a este quadro e ao bocal da Bica fez-se crescer um coberto fora do nível do telhado para acautelar que as chuvas o não destruíssem nem se misturassem à água da pia que a recebe do bocal.

O tanque desta casa é, também, de uma figura paralelográmica de 5 ½ pés de comprido e de 4 de largo e de 1 de profundidade, todo de cantaria. O seu leito foi puxado para o lado da Bica no plano da Reforma: podem nele tomar banho 4 pessoas comodamente; a sua temperatura ordinária é de 93 graus, porém, como a distribuição da água, como cima se disse, é variável. Também fica sendo a sua temperatura na Bica e no tanque, alem doutras circunstâncias, como são o estar mais ou menos quantidade de água no tanque, ter tido mais ou menos uso, estar ou não a porta fechada e finalmente segundo o estado da Atmosfera.

Antes do Plano de Reforma 1815, como a água se bebia mesmo na Rocha, onde a casa deste banho como a da Bica formavam um ângulo agudo, era o acesso à mesma mais difícil e menos expedito, principalmente quando havia o afluxo de muita gente e havia a necessidade de esperar uns que saíssem os outros: acrescia a isto a imundice e o lamaçal que ali se formava pela água extravasada, e facilitava os toques obscenos; finalmente a distribuição de água para este segundo tanque era toda arbitrária e inconstante. A capacidade da casa era apenas pouco superior à do tanque: era de um e doutro lado devassada pelos olhos indiscretos, em consequência dos perpianhos singelos, baixos e furados. A porta comum ao primeiro banho era fronteira ao tanque, coberta de telha vã, bem como o primeiro, e ambos sem porta. Estas duas casas e os seus tanques são de uma edificação muito posterior à edificação dos 6 de figura piramidal edificados no feliz reinado D’el-rei D. João V.

A nascente da Bica, que brotava da Rocha por uma larga embocadura, reunida e saindo agora por um canal mais estreito, na pequena extensão de uma braça reunido por machas femeas e perfeitamente betumadas, feita de pedra, matéria pouco ou nada condutora do calórico; e esta mesma boca forrada interiormente pelo inducto verdugo que as mesmas águas depositam, eram circunstancias que de antemão nos persuadiam que a mesma Nascente nada podia perder do seu calórico (como o povo cegamente se queria persuadir, induzido por maquinações dolosas) nem por consequência as substancias, quaisquer que elas sejam, gaseificadas pelo calórico; este juízo foi corroborado com exame comparativo das experiências termométricas, feitas com diferentes termómetros, e em diferentes tempos, desde o ano de 1811 até ao ano da Reforma de 1815, e desde este até ao actual. Daqui se conclui que a temperatura nada tem diminuindo e as pequenas diferenças que se encontram são devidas a maior ou menor perfeição dos termómetros, não só os de diversos A. A., mas ainda mesmo nos do mesmo A. e da mesma escala, como tive a ocasião de observar sobre este mesmo objecto com dois feitos por M. Háás em Lisboa, que ambos já perdi e hoje me sirvo para este mesmo fim de um pequeno com escala de 130, feito por Mr. Fagli-abue em Londres, que comparado com outros, marca constantemente menos grau e meio, mas nestas piquetas diferenças de Termómetros qual se poderá dizer mais verdadeiro?