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O vale deste
rio, a princípio amplo e todo cultivado, estreita-se e despoja-se da sua
roupagem de verdura. As águas vão ganhando um ritmo apressado e inquieto.
A uma paisagem familiar e repousante sucede a agitação dum mundo novo e
vigoroso, que se ergue cada vez mais nos cimos descarnados. Conforme nos
aproximamos de Vilarinho, as águas tumultuam e bramem de encontro às
fragas, escavadas e puídas pela erosão. Nas encostas, cada vez mais
íngremes e pobres, rareiam as culturas e os homens.
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O
enquadramento de Vilarinho... |
Um silêncio estranho,
que só as águas do rio quebram, domina a natureza. À «ribeira» alegre,
fértil e cheia de vida, sucedeu a «montanha», solitária e serena [...].
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A
dança aquática... |
Restos
mortais! |
Perto da
confluência do ribeiro das Furnas com o rio Homem, o vale alarga-se
novamente, o rio acalma-se em poços fundos e transparentes e, à volta
dele, terrenos férteis de aluvião, semeados de milho, batatas e feijões
parecem uni oásis na imensidão das serras escalvadas.
Aqui se
encontra Vilarinho, escondido entre a verdura dos seus campos e ramadas,
acocorado no vale do ribeiro das Furnas, que lhe passa ao pé, em fundo
leito granítico.
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Olhando
da janela... |
Vazio
de agora! |
Esta pequena
aldeia de cerca de 250 habitantes possui vastos territórios que se
estendem pelas encostas da serra Amarela até à fronteira da Galiza,
através de cabeços que ultrapassam 1300 m de altitude, e também na margem
esquerda do Homem pequenas faixas de terrenos e pastagens em clareiras da
floresta do Estado, nas encostas da serra do Gerês. Dantes, os pastos e
arvoredos no Gerês eram muito mais amplos, mas os Serviços Florestais
apropriaram-se deles, com grande prejuízo da economia destes povos [... ]
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Vidas
de outrora... |
Casa
da minha namorada... |
A situação da
aldeia e dos terrenos de cultura, expostos ao Sul e protegidos dos ventos
do Norte por altas montanhas, torna possível uma policultura de tipo
minhoto, em que predominam o milho e as hortas, e não falta o vinho verde
de ramada e de enforcado.
Dos vastos
territórios da povoação, só um pequeno trato de terras de aluvião junto
aos rios é cultivável; o resto são pastos, em geral excessivamente pobres
e só bons para cabras, situados nos vales e rias encostas graníticas da
serra Amarela, muito menos arborizada que a do Gerês.
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Homem
resistente. |
A
última morada! |
Todos os
outros vales são fundos e ásperos, cobertos de vegetação rasteira que se
agarra ao pouco humo existente, deixando as rochas a nu. As encostas são
alcantiladas até aos cimos arredondados ou aos planaltos levemente
inclinados que, pela altitude e pobreza do solo, apenas dão magras
pastagens.
Nas chás e portelas, há contudo bastante água e terra funda
onde crescem fenos e ervas, excelente pasto do gado bovino. Algumas
conservam tufos de velhos carvalhos de troncos cobertos de musgo. Nestes
pontos, a que muitas vezes os pastores chamam «currais», pernoitam os
gados e, durante os grandes calores do estio, abrigam-se à sombra das
árvores, à volta das quais não faltam pasto e água.
Muitas nascentes não
secam de Verão e dão origem a regatos que se avolumam com outros e vão
desaguar nos dois cursos de água principais.
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