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O
homem teve e tem um papel fundamental na modelação destas paisagens
magníficas, as quais constituem quadros vivos em permanente
transformação visual ao longo do ano e onde a dinâmica da vida
encontrou sábia sequência no equilíbrio entre a natureza e a cultura
que aquele soube criar.
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Forno
do Povo - Tourém |
As
comunidades locais estão desde há muito instaladas, como esclarece António
Martinho Baptista - «...aos quarto e terceiro milénios antes de
Cristo, os primeiros vestígios de uma permanência humana já enraizado
em todo o território ocupando povoados muito possivelmente sazonais,
cujas marcas estão ainda por identificar. São as necrópoles de dólmenes
e mamoas que melhor documentam esta primeira ocupação efectiva
da região, vincando uma forte religiosidade ligada
essencialmente ao fenómeno da morte física.
Ainda hoje, atestando a
solidez destas primitivas construções funerárias e territoriais,
vastas necrópoles megalíticas (das maiores em número de todo o Norte
de Portugal) pontilham quer os planaltos elevados de Castro Laboreiro e
da Mourela, quer as inúmeras chãs coleantes das diversas
serranias» -, e elas desenvolveram sistemas peculiares de agricultura,
assentes sobretudo na exploração do gado.
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A
cultura... |
Os
testemunhos mais antigos das terras do Gerês referem-se, como se vê,
à cultura megalítica, representada por dólmenes e cistas
com cerca de seis mil anos. Dos finais do Neolítico ou do início
da idade do Bronze, surgem menires e gravações em rochas. É, no
entanto, durante a idade do Bronze e a do Ferro que se processa o
povoamento sistemático das mais importantes cumeadas que separam as águas
dos rios. Os povos constróem castros e desenvolvem uma agricultura
primitiva de sequeiro e a pastorícia.
São
desta época os castros de Calcedónia, Outeiro, Castelo
e Ermida. Foi, porém,
a romanização, após uma possível influência grega, que deu
origem à actual estrutura paisagística assente numa economia de
subsistência no que diz respeito às culturas agrícolas e em que o
gado é, e continua a ser, a principal fonte de riqueza da população
do parque. Aos Romanos se deve o desbravamento do fundo dos vales
da vegetação selvagem que os revestia e, portanto, o inicio da
descida das populações das cumeadas para o sopé das encostas. A
geira (estrada romana) que segue o vale do rio Homem e quatro conjuntos
de marcos miliários (Bico da Geira, Volta do Covo, Albergaria e Portela
do Homem) atestam a acção decisiva da romanização neste território.
Estas acções são imediatamente continuadas pelos primeiros
conventos e cenóbios cristãos, que cimentam a cultura anterior com
a influência germânica que se lhe seguiu de Suevos e Godos.
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Cozinha
em Vilarinho |
Os
primeiros, que chegaram a fundar um reino com capital em Bracara Augusta
(Braga), introduziram a cultura do centeio e um arado mais possante que
o utilizado pelos indígenas (século V). Nos tempos que antecederam a
nacionalidade e durante a primeira dinastia portuguesa, o povoamento
intensificou-se e a época medieval é atestada ainda hoje por
numerosos monumentos: Castelo de Piconha, Castelo do Lindoso
(século XII), Castelo de
Castro Laboreiro (século XI), Mosteiro de Santa Maria das Júnias,
pontes, casas rurais, cruzeiros, capelas, calçadas, conjuntos em
povoações, fornos, etc.
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Tecer:modo
de vida... |
A
mais significativa transformação, após a romanização,
deveu-se à introdução e expansão (séculos XVI e XVII) da cultura
do milho, que, segundo Ilídio de Araújo, originou uma verdadeira
revolução cultural e social.
Mais
tarde, já no século XIX,
é introduzido uma nova cultura, a batata, que veio enriquecer a
dieta alimentar na região.
O
gado, porém, continua ainda hoje a ser a principal fonte de
riqueza da população, permitindo ultrapassar a mera subsistência
das famílias, e daí o carinho e a importância que os povos serranos
lhe atribuem, especialmente ao bovino.
Ilídio
de Araújo descreve, nomeadamente, a importância do gado bovino
na nomenclatura de diversas ocorrências da paisagem, tão
grande que certas comunidades viviam em duas povoações durante o ano,
a fim de acompanharem os seus rebanhos na procura de melhores pastos.
Esta prática, hoje só existente residualmente, levava a que, no
Inverno, as famílias vivessem na «inverneira», onde passavam o
Natal, entre setecentos a oitocentos metros de altitude, para
onde desciam vindas das Abrandasse. Os gados pastavam então nas terras
dos vales e nos lameiros dos planaltos, e recolhiam à noite à «loja»
(andar do rés-do-chão da casa destinado aos animais).
Logo
que chegava a Páscoa, as famílias subiam para maiores
altitudes, acima dos mil metros,
onde passavam na «branda» a Primavera, o Verão e parte do
Outono. Ai, os gados encontravam pastos mais viçosos e frescos.
A
agressividade do clima, o isolamento das aldeias e os recursos
parcos que obrigavam a uma gestão sábia deram origem a hábitos
comunitários, de que ainda perduram alguns vestígios.
Assim,
cada aldeia era uma comunidade organizada, onde as questões de
justiça e os assuntos de interesse colectivo eram resolvidos por um
conselho dos homens-bons da terra, que reuniam no largo do pelourinho,
existindo por vezes uma bancada ou recinto especialmente concebidos para
essas reuniões.
Os
rebanhos pastavam em comum nos baldios, o pão de cada família
era cozido (e ainda hoje o é, em alguns povoados) no forno do povo e
existia em cada aldeia um touro de cobrição (boi do povo), que pastava
na corte comum; moinhos ou azenhas, pisões, forjas, enfim, as
principais actividades de subsistência eram tratadas em regime comunitário.
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Vida em Vilarinho da Furna |
Com
o andar dos tempos, o aumento da população obrigou a ampliar
a aldeia, e à volta desse núcleo primitivo foram nascendo mais
casas, que formaram pequenas ruelas e larguitos.
A aldeia «escolheu
uma ligeira eminência de terreno para se manter ao abrigo de eventuais
inundações», dizia Jorge Dias, ao descrevê-la em meados da década de
40, mas a morfologia do terreno não foi suficiente para impedir que ás
águas da albufeira da barragem, construída a montante a submergissem de
forma irremediável.
E quando as
águas da albufeira baixam, surge admiravelmente conservado
o esqueleto da aldeia, uma intrincada tela de pedra que nos recorda
um tempo recente e nos faz reflectir sobre as ideias dominantes em
matéria de desenvolvimento e de progresso. O povoamento tradicional em
toda a área do Parque Nacional da Peneda-Gerês apresenta um carácter
concentrado e as diferentes aldeias resultam do conciliar dos mais
diversos factores de ordem natural com as necessidades da sobrevivência.
Do planalto de
Castro Laboreiro, a ocidente, até Pitões das Júnias e Tourém, e salvo
circunstância excepcional, todas as aldeias procuram a proximidade de
uma linha de água, a existência de um declive moderado que
possibilitasse a instalação de campos de cultivo - recorrendo-se, no
entanto, de forma sistemática, à construção de socalcos sempre que
necessário -, e a presença relativamente próxima de áreas propícias à
prática do pastoreio. As melhores terras, nas encostas mais suaves e
melhor expostas, foram destinadas à agricultura, construindo-se as casas
não longe e em locais protegidos dos ventos de norte. Existe no
entanto um outro tipo de povoamento, vulgar nas serras do Soajo e da
Peneda, que se traduz na permanência de uma mesma população em
dois aglomerados distintos, ocupados sucessivamente, consoante a época
do ano.
Assim, tal como
escreveu Orlando Ribeiro, os habitantes de Castro Laboreiro viviam «uns
em povoações que habitam todo o ano, outros em brandas e
invernieiras, que servem, como o nome indica, de moradias de Verão e
de Inverno. São umas e outras aldeolas compactas, de casas
colmadas e idênticas às [...] de construção mais cuidada na branda,
como lugar onde se passa mais tempo.
As brandas
estão
quase todas acima de 1000 metros, junto de ribeiras, nas vertentes ou
nas lombas que separam pequenos vales. As invernieiras
abrigam-se nos vales da ribeira de Castro Laboreiro e dos seus
tributários, por onde penetram as influências climáticas do Meio Dia, a
que estão expostas; umas logo abaixo da superfície do planalto, outras
nas proximidades de 700 ou 800 metros.
A população passa
na branda a maior parte da Primavera, o Verão, o Outono; em Dezembro
começa a baixar para a inverneira (para em baixo), onde
toda a gente deve estar na noite de Natal. É verdadeira migração global,
que se realiza a pé e em carro de bois, transportando-se para baixo
gados, criação, utensílios, roupas e até o gato atado com um cordel a um
fuelro. As casas da branda ficam fechadas e desertas enquanto duram as
frialdades e tempestades de Inverno. Em Março ou Abril, isto é, pela
Páscoa, sobem para a branda (para em riba), donde descem, para
trabalhar a terra ou colher o renovo, por um dia, voltando a dormir à
branda».
Este sistema de
povoamento está hoje em dia posto em causa pelas profundas
transformações decorrentes do êxodo rural, fazendo com que as
inverneiras mais expostas tendam para o abandono, provocando assim uma
nova mutação na paisagem.
Lugar maior deste
isolado planalto do Noroeste é a povoação de Castro Laboreiro, antiga
atalaia de fronteira que se ergue a cerca de 1000 m de altitude e que
impressionou desfavoravelmente alguns dos forasteiros que a
frequentaram. «Seus moradores ali vivem em choupanas de colmo e alguns
até em covas no chão», escrevia um funcionário da Fazenda Pública em
1843, enquanto José Augusto Vieira, o autor de Minho Pitoresco
(1886), acrescentava, referindo-se ao interior das habitações, ser «o
que há de mais sórdido, de mais negro pelo fumo e de mais
anti-higiénico...»
Construída com
granito arrancado do solo, usando a madeira das matas, a palha de
centeio e a urze que existia em profusão, a casa, como em muitos outros
locais de Portugal, era abrigo para homens e animais e armazém de
alfaias e produtos da terra. A cor e a própria forma proporcionavam uma
tal integrarão na paisagem que, à distância, e tal como ainda acontece
nos lugares que se mantiveram mais à margem da evolução recente, as
habitações se confundiam com as formas variadas que a penedia adquire em
Castro Laboreiro.
Hoje em dia todo
este quadro já não corresponde à realidade, dado que o surto de
construção que se abateu sobre o povoado não apenas submergiu parte
importante do passado, e sobretudo muito do que ele continha de
negativo, como conferiu ao todo, devido fundamentalmente aos critérios
arquitectónicos e de implantação empregues, o tom incaracterístico que
ora se pode observar.
Não são apenas as
casas tradicionais, ou em certos casos o que delas resta, o que mais nos
surpreende quando falamos da Peneda e do Soajo em termos de
arquitectura. De facto, quando se trata de arrecadar o milho,
recorre-se ao espigadeiro, um estranho silo erguido sobre colunas, que
defende o grão das humidades do chão, das aves e dos roedores.
Os espigueiros
espalhados por parte importante da área do Parque Natural e sobretudo as
paradas de espigueiros do Lindoso e do Soajo destacam-se pela beleza das
suas linhas, pelo equilíbrio das suas proporções e pela perfeição da sua
feitura.
Nas aldeias da
Peneda, Soajo e Amarela, escrevem Veiga de Oliveira e Fernaildo Galhano
ser «vulgar os espigueiros agruparem-se em locais ventosos, junto das
grandes lajes naturais de granito aproveitadas para eiras. No Lindoso,
onde existe a maior concentração (cerca de cinquenta), eles erguem-se
sobre a fraga que desce do castelo, onde em tempos cada vizinho podia
construir livremente o seu. Viram todos uma ponta a ao SW., donde vem a
chuva, ficando a porta no outro topo, mais abrigada. Em grande parte
deles é essa porta a única peça de madeira: tudo é de pedra, as lajes da
cobertura a duas águas, jugos em que elas se apoiam, matajuntas
que lhes vedam as fendas e os próprios balaústres. Em outros o telhado é
de telha caleira, protegido nas pontas por um capeado erguido na
padieira triangular a que chamam plincho; nestes é mais vulgar
serem os balaústres de madeira. Em todos eles, porém, são de pedra os
balaústres do topo virado ao SW., por vezes simulados, pois não deixam
entre eles qualquer fenda aberta. Sobre a porta é vulgar a data da
construção.
Precisamente por
isso se pode notar que a escolha do material não depende da data, sendo
já antigo o emprego exclusivo do granito; encontram-se exemplares dos
meados do século XVIII feitos de pedra, e o que é curioso,
praticamente iguais aos que se têm construído há poucos anos. Todos os
espigueiros são encimados por cruzes simples ou ornamentadas, e por
vezes urnas, pirâmides, etc.» Outra forma curiosa de guardar o milho são
os canastras de varas entretecidas, construções de forma arredondada
formadas por «tanchões» espetados numa mesa sobrelevada de pedra ou
madeira sobre a qual são tecidas as varas de carvalho ou giesta, sendo a
cobertura constituída por um capuz de colmo. Quer em Froufe, quer em
Mosteirô, ambos povoados da serra do Soajo, estes canastras redondos
representam simultaneamente um exemplo notável da tecnologia
tradicional no domínio do armazenamento de cereais e um elemento
altamente valorizador da paisagem. Associado a espigueiros e canastros,
o milho participou também na construção da paisagem da Peneda-Gerês.
Trazido das
Américas, passou a ser cultivado no território português a partir dos
séculos XVI-XVII e progressivamente foi conquistando cada vez mais
terra, permitindo a dispersão do povoamento e enriquecendo a dieta
alimentar das populações rurais. A revolução do milho» teve também uma
outra importante consequência na arquitectura da paisagem, através da
construção de socalcos destinados a receber a cultura do cereal. Os
imponentes escadórios de socalcos a trepar pelas encostas representam
uma forma inteligente de atenuar o declive a fim de nele instalar a
agricultura. A paisagem de socalco em que a Peneda-Gerês é fértil
representa uma das mais felizes intervenções humanas no capítulo do
aproveitamento dos solos, associado a um quadro paisagístico
artificialmente criado, mas tão bem imaginado que quase o temos por
natural.
Socalcos e prados
de lima. Fornecer água corrente em camada delgada através de um sistema
bem concebido de valas principais e regos laterais, de modo a irrigar
totalmente o terreno, protegendo simultaneamente a vegetação das baixas
temperaturas e das geadas da época fria - a isto chama-se limar.
Os prados de lima,
situados, regra geral, em encostas suaves, são afinal aquelas
superfícies sempre verdes que pautam aqui e além a paisagem destas
serranias, terrenos cobertos de plantas herbáceas destinadas à
alimentação dos gados, solução original e, acrescente-se, rara no mundo
em que vivemos.
Nos contrafortes da
serra Amarela o povoamento ainda mantém o carácter concentrado que
sempre teve, mas o isolamento antigo, esse, já sofreu alterações, e a
Ermida, por exemplo, já não corresponde à descrição que dela fez Eduardo
Cruz, já lá vai meio século: «Dos telhados negros, sem chaminés,
agrupados em volta da igrejinha branca, elevam-se no ar diáfano os fumos
das lareiras e, no imenso silêncio da montanha que adormece, apenas se
ouve o som do balido das ovelhas, ou o cacarejar do perdigão, que sobre
uma fraga, no crepúsculo dourado, reúne o bando para passar a noite.»
As transformações
são, porém, muito mais evidentes no vale do Gerês. Aqui, com efeito, o
desenvolvimento turístico baseado na existência das termas e na
albufeira da Caniçada conduziu a um crescimento incontrolado dos
aglomerados habitacionais. As Caldas do Gerês perderam em boa verdade
parte do encanto que se associava ao seu carácter de
termas do fim do século, persistindo, no entanto, a vegetação poderosa
das encostas que as rodeiam e a amenidade do clima - marítimo, atenuado
pela altitude média, temperado e moderadamente húmido no estio, que
são alguns dos seus grandes atractivos.
O povoamento do
Gerês estende-se ao longo do Cávado e do seu afluente, o Cabril. O
acidentado do relevo obrigou as povoações a estranhos equilíbrios,
enquanto a escadaria dos socalcos desce até às linhas de água.
Deixando os vales
do Cávado e do Cabril e subindo para norte ultrapassa-se a barragem da
Paradela e entra-se no planalto da Mourela, onde já se prefigura
Trás-os-Montes e a economia típica do Barroso. Morre o Gerês e eis-nos
em Pitões das Júnias. Estamos no Alto Barroso e a mais de 1000 m de
altitude.
«Visto de um ponto
alto, de junto do cemitério, o casarão pouco se distinguiria do chão
escuro e declivoso se não fosse a mancha de telhados vermelhos. Casas
colmadas ainda as há e multas, sobretudo palheiros para acolher a
fazenda e guardar o penso. Num ponto ou noutro branqueia
casa calada: a escola, o posto da guarda-fiscal, a casa reconstruída ou
nova de emigrante ou vizinho endinheirado. E lá longe, a poente e
noroeste, fragas e picos agressivos do Gerês a contrastar com os
dorsos boleados da Mourela, para nordeste e nascente. Ao fundo, a
sudoeste, as águas espelhadas da barragem de Paradela. E, em todo o
horizonte, nem uma copa verde de árvore, apagados e sem folhas os
bosques de caros, soltos pelas encostas, em tempo de rigoroso
Inverno. E tudo branco, em dias de nevada.»
Há 50 anos atrás
contavam-se apenas cinco casas telhadas e o mais era um suceder de
telhados colmados, que progressivamente foram desaparecendo, e com eles
uma técnica de construção em vias de se perder.
E para maior
segurança, não vá o vento pegar no colmo, pedras pesando sobre este.
Nas
paredes de lado, formando em cima o vértice de um triângulo, assentam as
cápeas, lajes de granito aparelhadas (o capeado), a que se
encosta o colmo, e a guardá-lo do vento outras lajes colocadas
verticalmente sobre as capas - os guarda-ventos -, tudo dando ao
telhado beleza e compostura, feição arquitectónica.» |