Poço Azul: a epifania...


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No Youtube...

 

No WIKILoc...

 

 

Há coisas que não se revelam. Há sítios que são sagrados. Há percursos escondidos que são pessoais, de calma, de reflexão, só nossos...

 

inicio caminho 1 peq   inicio poco peq
Sítios sagrados...  

Água fonte de vida.

 

Já passaram muitos anos desde a primeira vez que aquele caminho se transformou em hábito. O pastor assim o indicara: é um poço, um autêntico poço azul... Aquele sítio, aquele espaço de calma, de harmonia, de vida, de morte, ficara entre nós. Nunca fora revelado aqui no www.serra-do-geres.com. Esse e muitos mais que são nossos, apenas nossos.

Com o passar do tempo, vários blogs foram referindo esse espaço. Logo os e-mail's chegaram com perguntas sobre o caminho real para o Poço Azul. Dá-se, hoje, então a epifania, a revelação do caminho para um dos pontos mais fantásticos do Gerês.

Dez anos depois, lá fomos de novo ver como aquilo estava, o Poço, também com o objetivo de fotografar.

 

floresta peq   rocha peq
Bosque de tal intensidade...  

A força do glaciar.

 

Este percurso inicia-se, precisamente, onde é proibido passar de carro. Depois de chegados à ponte do rio Arado, levámos os carros até mais acima, a um espaço que serve de "estacionamento" para os carros e onde se encontra a cancela juntamente com o sinal de proibição.

 

monte arado peq   estaci peq
...  

O carro votado ao esquecimento.

 

Colocámos as mochilas às costas, apenas com o calção de banho e muita água, chapéu na cabeça, protetor nos braços e arrancámos.

 

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Ao alto a placa.  

Interdição de passagem a carros.

 

O início foi interessante vindo à nossa memória outros tempos, mais jovens, em que percorríamos esta distancia, de cerca de 1:15m, sem dar conta. Os anos pesam e a nossa apreensão ia para o facto de percebermos em que condições físicas estávamos.

 

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Estacionamento e entrada, ao fundo.

 

Parede do Arado.

 

A primeira paragem foi perto: a fonte das Letras encontrava-se à nossa direita pronta para saborearmos a sua água e para aproveitarmos a sombra do carvalho, preparando os músculos para a caminhada que se avizinhava. A placa da Fonte já tivera melhores dias. Neste dia encontrava-se partida deixando alguma dificuldade, a quem não sabe, de perceber o nome.

 

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 carvalho na fonte.  

A fonte das Letras ou das Leiras.

 

A estrada afigurava-se boa para a caminhada.

Continuando, observámos a paisagem sem fim do lado direito, com a serra da Cabreira, em Vieira do Minho, ao longe. Andámos sem dar por isso, atravessando bosques e penedias, penetrando no reino misteriosa da Malhadoura.

 

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Granito: presença constante!

 

Água: refrescante olhar.

 

 

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O caminho com alguma sombra.

 

A floresta ladeando a estrada.

 

 Ao virar do caminho, intensificam-se os afloramentos rochosos com enormes pedras de granito desafiando as leis de Newton. De repente, estamos noutra dimensão: do lado direito, o promontório de onde se tem uma das vistas mais magníficas do Gerês;

 

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Branda do "promontório".

 

As vistas...

 

do lado esquerdo, a Vezeira da Ermida com o seu pequeno curral embutido nas rochas e a sua porta de madeira, o espaço de festa e de culto, infelizmente estragado com objetos de uso corrente de conforto humano. Parámos. Fomos ao promontório. Aí ficámos por largo tempo deixando o silêncio dominar a altura e as alturas, tentando ouvir a montanha. Depois debruçamo-nos mais sobre a a Vezeira, analisando e conjeturando sobre as várias gerações de pastores que por ali passaram e pernoitaram...

 

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O curral da Vezeira da Ermida.

 

Rocha indicativa.

 

Prosseguimos. Como o calor já apertava, refrescámo-nos na fonte da Malhadoura não sem antes admiramos o velho carvalho que, sendo um exemplo de longevidade, desafia o vento com a sua força, cortada talvez, pelo golpe de um raio que o esventrou.

 

 

 

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A fonte da malhadoura.

 

Raio...

 

Andando ao sabor das botas, chegámos àquele que poderá constituir um elemento de confusão no percurso para o Poço Azul. Depois de atravessar uma pequena linha de água, confrontámo-nos com um espaço amplo mas cheio de árvores constituído pelo curro dos Portos, fonte da Tribela e Forno dos Portos.

 

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Curro dos Portos.  

Fonte da Tribela.

 

Forno da Ribeira.

 

Encontrámos um pequeno entroncamento , onde está uma pedra outrora suporte de placas indicativas do Parque, que deve ser seguido pela direita, em direção ao curro dos Portos. Por detrás dessa pedra está a placa indicativa que estamos na Malhadoura, a uma altitude de 733 metros.

 

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Entroncamento: direita.

 

Faltam as placas...

 

Registo...

 

Nós aproveitámos e, mais uma vez, permitimo-nos subir o nosso nível de líquido, restabelecendo-o na fonte da Tribela, facilmente identificável junto ao muro do curro.

 

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À esquerda a fonte; em frente o Curro.

 

Fronte da Tribela: promenor.

 

Continuámos o caminho, visitando o Forno da Ribeira, observando a ajuda que ele é para os pastores e para os viajantes repousarem um pouco. Do outro lado, admirámos a força do muro que rodeia o pedaço de campo onde pastam os cavalos e vacas sem poderem escapar.

 

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O Forno da Ribeira ou Abrigo dos Portos.

 

Entrada do Curro dos Portos.

 

Seguimos em direção ao curro da Tribela. Avançámos por outro bosque magnífico de carvalho e salgueiro indo desembocar a um cruzamento vigiado pela enorme pedra com a indicação do nome do sítio onde acabáramos de chegar: Tribela,. Os meus amigos portistas, como são muito religiosos, lembraram-se logo da Quaresma...

 

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O cruzamento da Trivela: vire à esquerda!

 

Pedra indicativa.

 

Virámos à esquerda e contornámos o muro da "casa do doutor" - não dei de quê - que ocupa todo o curro da Tribela. Este curro não é propriamente para não deixar o gado sair. É antes para não deixar ninguém entrar. Trata-se de um espaço cuidado, aparentemente com todo o conforto moderno e com piscina, estando os jardins muito bem cuidados.

 

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O cruzamento da Trivela: vire à esquerda!

 

Pedra indicativa.

 

Passámos defronte do portão da cerca da "casa do doutor" rumo à ponte de Servas sobre o rio do Conho. A estrada de terra batida estava agora transformada em caminho rústico e um pouco perigoso para os tornozelos sensíveis. Como íamos de botas, nada a recear.

 

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Servas, ao fundo...

 

...

 

Fizemos a descida íngreme para o rio, saboreando as paisagens agrestes do vale. Rapidamente alcançámos a ponte.

 

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Chegando à ponte...

 

Servas, a ponte...

 

Atravessando-a, iniciámos a subida, também ela muito íngreme, em direção a um caminho florestal largo e em terra batida. Aqui chegados, virámos à esquerda.

 

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Trilho depois da ponte.

 

Na estrada, à esquerda...

 

Sem nunca nos desviarmos dessa estrada, chegámos ao curral de Pinhô. Trata-se de um espaço delimitado por uma cerca moderna de madeira, tendo no seu interior uma pequena casa muito cuidada no aspeto exterior. Não entrámos. Quisemos respeitar a cancela fechada. No entanto, não pudemos deixar de observar o altar a alguma coisa em que se transformou a rocha bicuda que encima a casa e em cujas traseiras está o grelhador.

 

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Siga até ao Curral do Pinhô.

 

A cerca do Curro...

 

 

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A casa do Curro do Pinhô.

 

Repare no boneco...

 

Quem chega ao Curral, do lado esquerda, pode ver um conjunto de enormes cedros carregados de pinhas de cedro. O caminho é por aí. Agora transformou-se em caminho de pé posto. Avance sem receio, primeiramente seguindo as mariolas e, depois, o tubo preto que nos acompanhará nos próximos 1500m.

 

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Mariola no início.

 

Roca Negra.

 

Seguimos por aí, percorrendo essa distância com um misto de redescoberta, de encanto, de paz e de vontade: de redescoberta porque havia muito tempo que não percorríamos estas pedras; de encanto porque estas paisagens e este misto de força da rocha e da água fazem-nos encantar pensando nas forças enormes exigidas para a formação daquele granito metamórfico e das forças de erosão que estão acabando esse trabalho; de paz porque o silêncio em que nos colocámos levou ao saborear a tranquilidade destes sítios: de vontade porque era grande a vontade de perceber como estava aquele local depois de tantos anos e de mergulhar no Poço.

 

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Passe por baixo...

 

Siga e aprecie.

 

Atravessámos penedos e fragas, troncos calcinados, restos de incêndio, e linhas de águas, sempre acompanhados pelo troar das águas do rio de Conho - do lado esquerdo - que, com o passar dos metros, nos surgia mais forte. Ao longe, espreitando por entre as paredes do vale, aparecia o Caucão, afetivamente apelidado pelos residentes de Penedo Furado, qual guia, farol nas incertezas do caminho.

 

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Espreitando...  

Farol nas incertezas do caminho...

 

Em determinado ponto, já quase junto ao Poço, atravessámos o rio junto a uma enorme árvore de azevinho. Continuando, chegámos a um pequeno patamar com resíduos daquilo que aparentemente parece ser construções de turistas que para ali foram arrastando pedras com o objetivo de confecionar aperitivos, depois de uma longa e privilegiada caminhada e e antes de saborear as águas geladas do Poço Azul.

 

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Atravesse o rio: azevinho.

 

Patamar antes do poço.

 

Passando à frente e seguindo o trilho, eis que chegámos ao nosso destino. Por entre as ervas do caminho e as rochas que dificultam a visão, aparece, com algum ruído tranquilo de água, o Poço Azul.

 

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Eis o poço!

 

...

 

Trata-se de um enorme buraco, possivelmente com 4 a 5 metros de profundidade, com ótima visibilidade e com excelentes apoios naturais para o mergulho e saltos para a água. Pode fazer isso. Merece-o mas, quando puder, pare. Escute e olhe à volta. Aprecie a harmonia, a paz.

 

 

Os caminheiros usufruindo.

 

...

 

Suba pelo lado esquerdo do Poço e confronte-se com a razão do nome: visto de cima, as suas águas têm mesmo a cor azul...

 

 

Visto de cima: azul!

 

Preparando-se.

 

Ficámos, por aqui, algum tempo desfrutando do tempo magnífico que estava e da temperatura da água para restabelecer o equilíbrio calorífico dos nossos corpos.. Foi, mais uma vez, magnífico. Nova epifania. O retirar do véu sobre um dos sítios mais bonitos desta Serra . A verdadeira revelação. Percebemos, então do porquê de tanto tempo ter ficado este sítio escondido.

 

 

Para cima é o horizonte...

 

...

 

O regresso fez-se pelo mesmo caminho, reapreciando tudo aquilo por que passámos à ida, de modo a apercebermo-nos melhor das belezas e mistérios dos sítios por havíamos passado.