Pé do Cabril: o panorama!


  

Isto é que foi uma aventura...

  

No penúltimo Domingo de setembro lá fomos até a Pé do Cabril montados no carro novo do habitual patrocínio das nossas viagens ao Gerês.

Subimos às Caldas e daí até à Portela do Leonte onde parámos para receber a senha de acesso à Mata de Albergaria.

Seguimos viagem até ao cruzamento para Vilarinho, à esquerda, e percorremos toda a estrada do Sarilhão. Dessa pudemos ver, do lado esquerdo, toda a enormidade dos picos da fraga do Sarilhão. O nosso destino estava por detrás disso.

Chegámos ao cruzamento final da estrada de terra batida: se virássemos à direita iríamos ter a Vilarinho (barragem), se virássemos à esquerda a S. João do Campo (Campo do Gerês). Evidentemente que a nossa opção foi virar à esquerda.

Seguimos a viagem até ao cruzeiro do Marco Miliário (onde está instalado o Museu de Vilarinho da Furna) e, aí, virámos de novo à esquerda - pode fazer o caminho mais direto seguindo em direção a S. Bento da Porta Aberta e Campo do Gerês. Apanha o cruzamento do cruzeiro do Marco Miliário e aí vira à direita em direção à Calcedónia.

Depois de entrados na estrada referida encontrámos um cruzamento. Seguimos a placa que indicava "Junceda - 3 Km".

A meio parámos debaixo de um castanheiro frondoso para recuperar as forças e respirar o ar puro, de modo a renovar os pulmões gastos de tanta poluição da cidade.

Passados quase os 3 Km encontrámos, do lado direito, o Miradouro da Junceda. Decidimos ir espreitar e deparámo-nos com um espetáculo de uma beleza indescritível.

Os minutos voaram em silêncio enquanto contemplávamos a paisagem. Experimente e perceberá porquê...

Acordámos do sonho celestial e prosseguimos em direção ao destino marcado: Pé do Cabril.

Estacionámos o carro no largo da Casa da Junceda, e logo aí nos perdemos! Apesar do excelente mapa em mãos, cheio de pormenores e legendas, não conseguimos dar com o início do percurso. Mas é fácil: nós é que nos distraímos.

No fim da casa de cima, do lado direito existe um caminho e ao lado de uma giesta frondosa, estava o início do trilho...

Lá fomos e logo a seguir encontrámos o tal fontanário de que já tínhamos ouvido falar. Abasteça-se de água pois é o último sítio onde a pode beber até chegar de novo aí, daí a 3 horas (apesar de ir passar ao lado de pelo menos duas nascentes de rios).

Iniciámos a subida munidos do tal mapa de que falava e do já habitual mapa militar, desta vez o número 30. De qualquer forma, quase nem era necessário o mapa militar uma vez que as mariolas nos acompanharam sempre durante todo o percurso.

O primeiro patamar levou-nos a uma subida até a um pequeno vale, acompanhados de cavalos Garranos que pacatamente pastavam não sem olhar para nós com ar curioso.

Seguimos o trilho de caminho pé posto pelo vale e fomos apreciando toda a paisagem, registando mentalmente de forma a podermos, se assim a divindade o entender, contar aos nossos netos.

Curiosamente esse vale termina num monumento à erosão que proporcionou a edificação de uma escultura fálica, qual menir de Obelix, que marca a imponência destas paragens. Aguçou ainda mais o apetite por estas coisas do Gerês.

No fim desse vale avistámos um outro ainda maior mas não tão plano: estávamos na Tojeira. Do lado esquerdo existe um escarpado por onde corre a Ribeira de Roda. Essa Ribeira tem nascente precisamente aí.

O caminho, pelas mariolas, passa por ele. Quando o dito caminho desvia para a esquerda deixa a Ribeira. A sua nascente é logo acima. Se tem medo de água descanse porque acaba quase por nem se aperceber da sua presença.

Nós não experimentámos descer por aí. Dizem que é espetacular. Experimente e diga alguma coisa.

Passado este segundo vale, chegámos finalmente ao terceiro patamar a que alguém, um dia, apelidou de Planeta dos Macacos.

Bom, aqui, de facto, a abertura é francamente espetacular. Trata-se de um vale quase plano, com muita erva, onde nasce a Ribeira do Sarilhão, que vai desaguar à albufeira de Vilarinho, e um outro ribeiro que, do lado oposto, vai desaguar ao Rio Gerês. Descanse que, também aqui, não se vê muita água.

Atravessámos o vale plano e chegámos ao relvado da casa do pastor onde estão as tais árvores cujos galhos próprios, quase direi, para macacos inspirou o alguém para dar o nome a esse espaços. Lá nos divertimos, também, e logo seguimos o caminho das mariolas.

Chegados ao cimo avistámos o pico do Pé do Cabril. Este pico tem, na sua máxima altitude, 1235 metros.

Passe pela passagem estreita e segure-se nos degraus de ferro teimosamente seguros à rocha desafiando o vento agreste de Miguel Torga. Lá em cima, o céu. Nem mais! A imagem de N.ª Sr,ª de Fátima e dos pastorinhos, em azulejo, retira da rocha a cor.

Bem, o panorama (pan+orao= pan>total; orao>vista: vista total) avistado daqui, é espetacular e é o corolário de todas as paisagens lindíssimas que se avistam.

Num ângulo de 360º conseguimos alcançar quase toda a parte ocidental da Serra do Gerês. Filmámos tudo isto e das imagens tiramos centenas de fotos. É pena não as podermos pôr todas. Ficam, nesta página, algumas...

Seguindo o caminho vão dar ao estradão que por sua vez vai desembocar nas casas da Portela de Leonte. Aventurem-se. Cuidado para não se perderem.

O caminho de regresso pode ser feito pelo mesmo caminho da ida. É só seguir as mariolas...