Expedição ao Circo: Cocões do Concelinho...


 

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No WIKILoc...

 

  

O caminho para chegar aos Cocões é o mesmo descrito em Aproveitamento Hidroelétrico do rio Cabril.

No fim de junho voltámos a fazer todo esse percurso imbuídos do nosso característico espírito aventureiro, acicatado, na circunstância, pelas crónicas e mail’s de clientes habituais que nos relatavam da enormidade do “Circo” e do tão selvagem caminho de pé posto subindo o vale da ribeira do Couce. Esta expedição tornou-se, quiçá, na mais emocionante caminhada de todas. Tornou-se, por isso, a Expedição ao "Circo" – Cocões do Concelinho... 

primeira imagem    segunda imagem

 

 

A surpresa surgiu à noite, numa sexta-feira feira de final do mês. Passámos o Parque de Campismo de Outeiro-Alto e fomos reservar mesa para cinco (desta vez também foi o meu amigo João) no Águia Real, com medo que se esgotasse o stock existente no congelador. Ao passar na Ponte Nova sobre o rio Cabril deparámos com um fenómeno controlado de descida do rio. De facto o rio estava completamente em baixo e mais não era que um fio de água a escorrer por entre uma paisagem lunar em que se tinha transformado o seu leito. Passámos alguns minutos a apreciar esse espetáculo pouco usual. Depois das filmagens da praxe (para tirar as fotos incluídas nesta página), lá fomos ao que tínhamos vindo. 

no caminho albufeira vazia    cabril junto a ponte
No caminho já se adivinhava...  

O rio Cabril, junto à ponte.

 

O único episódio inédito dessa noite foi o facto de termos ouvido durante a noite um barulho constante de cidade. Não estranhámos porque o vinho maravilhoso não nos deu tempo para sobre isso refletirmos. De resto o habitual: o mesmo parque, desta vez mais vazio, o mesmo ressonar, o mesmo despertar (desta vez não foi a mota do Ti Manel mas sim o automóvel do Ti Jacinto, sem escape, a subir a pequena inclinação ao lado). 

ponte velha do cabril    garranos na estrada
Ponte velha do rio Cabril.  

Garranos na estrada...

 

Tomámos o pequeno almoço no restaurante Ponte Nova e foi aí que soubemos o porquê do rio tão baixo e do barulho que tínhamos ouvido durante a noite: a E.D.P. estava a construir um túnel de reaproveitamento da água que passa na barragem e o que ouvimos era o barulho da “Micas”.

Traçámos o rumo até às piscinas e, pelo caminho, pudemos, mais uma vez, presenciar o espetáculo, pouco usual, de apreciarmos os Garranos do Gerês no meio da estrada. Esta presença iria tornar-se constante ao longo de todo o percurso. 

vale da abelheira    estrada em mau estado
Vale da Abelheira.  

Estradão...

 

Nada de novo na viagem até à zona das piscinas. Aí, em vez de descermos para essa área, seguimos em frente, exatamente como o descrito na viagem às Lagoas do Marinho. Agora aqui é que aconteceu um pormenor curioso e que deu para refletir. A cancela junto à ponte estava fechada. Não a cadeado mas estava em baixo. Ao lado uma tabuleta do P.N.P.G. a impedir a passagem com algumas exceções permitidas por lei. Um dilema assaltou-nos: passar ou não passar? Tínhamos à mão o mapa militar usual, por isso podíamos ir pela Corga da Pena Calva (pequeno riacho que vira à esquerda) mas o caminho iria prolongar-se no tempo. Resolvemos passar mas, por favor, não façam isso. Sentimos sempre um peso na consciência. Não pelo facto de pensarmos estragar alguma coisa mas... desobedecemos à lei. Não façam isso. Peguem no mapa e percam uma boas duas horas a percorrer a tal Corga.

De qualquer maneira lá fomos de carro e rapidamente chegámos às Lagoas do Marinho. A lagoa estava repleta de animais: cavalos Garranos e bois. Formava um bonito espetáculo. 

boi na lagoa    caminho para cocoes
Boi barrosão na Lagoa do Marinho.  

Caminho para Cocões...

 

Seguimos o caminho junto à casa dos pastores e, a partir daí, foi sempre a seguir as mariolas e o mapa militar. 

cume dos chamicais    muros
Cume dos cChamiçais.  

Muros no mapa militar...

 

Todo o vale da Ribeira de Couce é magnífico. Segundo Gaussan (Gaussen, Geneviève Coudé, 1981) trata-se de um vale glaciar provocado pela avalanche de gelo no período pleistoceno. 

garranos no meio de nada    vista parcial
Mais garranos no meio do nada.  

Vista parcial do "Circo".

 

Logo que se sai da casa do pastor, nas Lagoas do Marinho, pode-se contemplar, do lado direito, o afundamento abrupto da ribeira de Couce numa garganta profunda encimada por uma montanha de recortes amenos chamada de Chamiçais e que atinge, na sua altitude máxima, 1258m. Esse prolongamento montanhoso persegue-nos todo o caminho até atingirmos o Circo. Junto ao anfiteatro existe o ponto mais alto que tem o nome de Maceiras e que constitui uma das paredes do U.

maceiras encosta    fracturas no anfiteatro
Maceiras: encosta.  

Fratura no anfiteatro...

 

Do lado esquerdo do caminho ficam os altos e baixos dos picos do Borrageiro com a sua paisagem granítica evidente transformada em pedaços de rocha que descaem pelas encostas devido à fratura da mesma provocada pelo calor, pela chuva ao longo de milhões de anos.

E eis chegados a Cocões do Concelinho. O tal Circo Glaciar onde o gelo teve 150m de espessura debruçados sobre o vale do Couce. 

caminho para carris    o circo glaciar
O caminho para Carris.  

A imponência do "Circo".

 

Esta depressão está fechada por um anfiteatro gigantesco. A muralha granítica, que tem uma estrutura semicircular de entalhes profundos, vai desde o Borrageiro (1407m), passando pelo Outeiro dos Pássaros (1483m) até Maceiras (1350m). 

lado do borrageiro    caminheiros a vinda
Lado do Borrageiro.  

O regresso: missão cumprida!

 

O fundo do vale é constituído por restos de rocha trazidas pelo degelo e pelas chuvas. É nele que se encontra a foz de um pequeno ribeiro, que desliza pelo Circo, na Ribeira de Couce que nasce no lado Este, no vale das Maceiras.

Atravessámos um pouco o delta de entrada de uma ribeira na outra mas a fome e o cansaço não nos deixaram chegar mais perto da parede. 

ribeira de couce1    azevinho companhia constante
Ribeira de Couce...  

Azevinho: companhia constante.

 

Sentámo-nos junto à ribeira, à sombra de um rochedo, para almoçar. Os pés só descansaram quando se sentiram bem frescos dentro de água. Ali sentados, olhando o céu azul misturado com o cinzento do Circo, imaginámos, agora com mais verdade, as forças comensuráveis que estiveram na base da formação das reentrâncias nas rochas formadas pela água, às quais demos o nome de piscinas, existentes no Aproveitamento Hidroelétrico do Rio Cabril: O meu amigo ou a minha amiga coloque-se aí, no cimo do caminho por cima das piscinas e, apreciando essa paisagem e depois de saber tudo isto, diga se sente ou não um arrepio de força nas costas...

 Do Circo para as minas dos Carris era um pulo: era só seguir as mariolas coadjuvadas pela carta militar 31. Mas essa história ficará para a próxima. 

rocha do glaciar    vale da ribeira de couce    garranos no caminho1
Rocha arrastada pelo glaciar...  

Vale da ribeira de Couce.

 

Saudade...

Do Circo no fim do mundo, Cocões do Concelinho, fica a saudade da paisagem e da magnificência...