|
Já os povos castrejos habitavam por aqui devido ao
facto de este local constituir um excelente ponto de observação
sobre as cercanias da serra de forma a ver se se aproximavam possíveis
inimigos e por proporcionar, ainda, um bom espaço para a prática da
pastorícia, tanto do agrado destes povos.
Mais tarde, os romanos ocuparam estes espaços,
desbravando terras nos vales, proporcionando paz, fazendo com
que não fizesse sentido a vida no cimo dos grandes montes e montanhas.
Possivelmente estes povos foram ocupando os vales dedicando-se à
prática da agricultura (de subsistência), não esquecendo, no entanto,
a pastorícia.
É desta vivência familiar e em sociedade dos povos
castrejos que terão ficado enraizados os hábitos comunitários
destas gentes.
De todas as caminhadas que fizemos ao Gerês, esta é,
podemos dizer, a mais tocante. Em dois sentidos: por um lado pela parte histórica que as
minhas consultas descobriram; por outro pela majestade e imponência
destas montanhas.
Nunca o granito revelou a nossa pequenês como aqui na
Calcedónia.
Calcedónia não é um sítio, um local. Calcedónia é todo
um espaço geográfico que vai desde Rio Caldo, Covide, Campo do Gerês,
Junceda, Termas do Gerês, Ponte de Saltos e Bemposta. Toda essa dimensão
granítica transforma qualquer um num simples mortal com o tempo bem
definido.
Calcedónia é imortal... Tem a força do granito, do seu segredo, dos três
minerais que o compõem. O feldspato, a mica e o quartzo. Esse enigmático
quartzo microcristalino da família mineral, composta por ametista,
citrino, calcedónia, cornalina, ágata e jaspe. Dela, da
calcedónia, diz-se que harmoniza o corpo, mente, espírito
e emoções. Diz-se, também, que é útil na comunicação verbal
proporcionando clareza de discurso. Simboliza, ainda, a boa
vontade e promove a estabilidade mental.
Possivelmente será por esta última razão que gostamos
tanto da Serra do Gerês e o simbolismo terá a ver com a
ancestralidade dos projectos de vida comunitária de tantas gerações de
habitantes.
Cá está. Deve ser por isso que se chama àquela região
Calcedónia.
O relato que aqui deixamos tem a ver com a procura
dessa cidade mítica da Calcedónia, essa entrada estreita, essas eiras...
Tudo começou com uma preparação cuidada dos trilhos a
percorrer através da visualização do mapa militar 43. Consultámos alguns
sites na Internet, imprimimos algumas fotos e partimos à aventura.
Era um sábado. Fomos os 4 habituais: o Abílio, o
Filipe, o Jorge e eu. Seguimos na já habitual E.N. 103, que liga Braga
a Chaves, passámos pelo Café Piairo onde tomamos o café da
manhã (o tal do meu amigo Abílio no seu diferendo com o benfiquista) e
virámos para as Termas do Gerês no cruzamento que vemos na imagem.
 |
 |
|
Café Piairo |
Cruzamento para as
Caldas |
Quando chegámos ao fundo, depois da primeira ponte,
contornámos a rotunda e seguimos em direcção a Covide/ S. Bento
da Porta Aberta.
 |
 |
|
As placas do cruzamento |
Albufeira à vista |
 |
 |
|
Siga para Covide
|
Freguesia de Rio Caldo |
Passámos pela Igreja de S. Bento da Porta Aberta e
seguimos sempre em direcção a Covide e daí em direcção ao
Campo do Geres.
 |
 |
|
S. Bentinho |
Chegada a Covide |
 |
 |
|
Residencial Calcedónia |
Bem-vindo! |
No cruzamento, logo à entrada do Campo do Gerês,
virámos à direita em direcção a Lamas.
 |
 |
|
O cruzamento... |
Vire à direita. |
No primeiro cruzamento seguimos em frente em
direcção a Lamas e Gerês. Chegando de novo a um cruzamento,
no centro do qual existem umas mesas de piquenique e, do lado
direito, um oásis de sombra e de água, parámos o carro.
Nessa altura decorria uma prova de orientação e o ponto de
partida era, precisamente, esse oásis. Perguntámos ao responsável se
aquele era o trilho para a Calcedónia. Como a sua resposta foi afirmativa
lá partimos à aventura. Ainda mal sabíamos que era um engano...
Bom. Felizmente assim foi e o destino tem destas coisas.
Calcorreamos um caminho excepcional, de rara beleza e encanto. Vivemos de
perto a rocha e o silêncio misturados com a aventura.
Contornámos
todo o cabeço visível em frente com 919 metros de altura
(curiosidade: por baixo dele passa o aqueduto que trás e leva a água de
Vilarinho da Furna para a Central Hidroeléctrica da Bemposta).
Alcançámos um vale com um pequeno regato onde comemos as
sandes compradas num pão quente à saída de Braga.
 |
 |
|
O ponto de partida... |
919 metros! |
 |
 |
|
Uma fase da caminhada |
... |
 |
 |
|
O Filipe e o granito. |
Esculturalmente... |
O nosso objectivo era encontrar a passagem estreita
que dava acesso ao castro romanizado da Calcedónia. Por volta da
1:00h tornou-se claro que não era por ali o caminho pelo que
resolvemos atalhar para a estrada. Assim fizemos não sem antes os
meus colegas de viagem me chamarem enganador...e com razão:
depois de termos andado duas horas por trilhos de pedra, salta aqui
desbrava acolá, não deixavam de ter razão.
Foi então que o tal responsável pela prova de orientação
nos abordou e confessou que nos tinha enganado. Segundo um pastor que
encontrara o caminho para a Calcedónia era na continuação da estrada
para o Gerês, junto a um poste de alta tensão. É claro que tudo
isto nos animou.
No entanto, tivemos de descansar e arranjar forças para a
nova caminhada.
Enquanto esperávamos decidimos jogar à malha
(quatro patelas de metal tentando derrubar dois mecos de ferro um em cada
lado do campo) no tal oásis agora deserto. Foi a primeira vez do Abílio e
ficou cliente.
Depois de retemperadas as forças lá partimos. Nesse cruzamento (se
virar à esquerda vai ter a Lamas), seguimos em frente em direcção ao
Gerês.
 |
 |
|
A “Branda da
Calcedónia”. |
O bebedouro original. |
Passados mais ou menos 200 metros lá chegamos ao início
da trilha. Do lado direito da estrada há uma reentrância onde pode
estacionar o carro.
 |
 |
|
O caminho... |
Escondido nos carvalhos. |
Seguimos pela trilha, passámos o poste de alta tensão
e chegámos a um pequeno prado (Branda da Calcedónia) com um
bebedouro curioso. Continuámos o caminho vendo sempre lá no
alto o Cabeço da Calcedónia com 999 metros de altitude.
Aqui, se virar à direita num caminho relativamente raro que
lhe aparece, vai ter à grande fenda da Calcedónia. Pode, depois,
contorná-la para a direita e chegará de novo aqui.
 |
|
A Grande fenda da
Calcedónia... |
Nós, no entanto, seguimos as Mariolas (montinhos
de pedras que servem de guia aos pastores) até chegar a um
miradouro de onde se podia avistar S. Bento da Porta Aberta e a
albufeira da Caniçada. Desviámos à esquerda e, finalmente,
atingimos a passagem estreita na rocha no fim da qual se
encontra um amplo local com chão em granito onde ainda se podem ver alguns
restos da presença humana.
 |
 |
|
De novo o Filipe. |
Caminheiro são tuas
pegadas... |
 |
 |
|
Com mais de 300 anos. |
A passagem: se é
gordo... |
Visitámos todo o local,
andámos de alto em alto, apreciámos as vistas e no fim ficámos
maravilhados com tudo aquilo. Até o meu amigo Abílio ficou convencido.
 |
 |
|
Um aspecto. |
O fim do caminho. |
 |
 |
|
Restos de outra
civilização... |
A foto! |
 |
 |
|
O descanso... |
Em direcção incerta. |
 |
 |
|
Reflectindo!... |
A imponência do
granito!!! |
Fizemos o percurso inverso
para chegar, de novo, à estrada. Seguimos a estrada apreciando, ao
longe, toda aquela imponência baptizada com nome de rocha nobre:
Calcedónia.
 |
 |
|
Outra face. |
Estado de espírito. |
Continuámos viagem pela estrada do Gerês.
Parámos várias vezes para filmar e apreciar a majestade de toda a
abertura fotográfica que estas paragens nos permitem. Muito melhor que
a Pedra Bela.
Depois de passar o campo de futebol encontrámos um
cruzamento. Virámos à direita em direcção ao Gerês (centro).
 |
 |
|
Na estrada para as
Caldas. |
Vire para Gerês. |
Aí foi o fim desta viagem de sentimentos.
 |
|
A albufeira... ao fundo. |
Uma viagem inesquecível. A voltar a fazer... |