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O Azevinho é uma planta bem conhecida
pela sua beleza e pelas suas utilizações ornamentais, sobretudo na
quadra natalícia. A procura pelos seus ramos e frutos tornou-a rara
enquanto planta espontânea.
TAXONOMIA
O azevinho (Ilex aquifolium L.) pertence à família
Aquifoliaceae (Aquifoliácias), a qual contém diversas espécies de
árvores e arbustos espalhadas pelos trópicos e países temperados.
CARACTERÍSTICAS
GERAIS E MORFOLÓGICAS
Possui um porte arbustivo ou arbóreo, podendo alcançar, no
segundo caso, uma altura de 8-10 metros. O ritidoma (casca do tronco) é
liso e esverdeado. As folhas têm uma forma oblonga ou ovado-oblonga e
são alternas, muito rígidas e coriáceas, muito reluzentes. As margens
são onduladas e possuem dentes espinhosos. Em estados de desenvolvimento
avançados das árvores, estes espinhos tendem a desaparecer.
As flores têm uma cor branca ou rosácea. Nascem solitárias
ou em ramalhetes nas zonas de inserção das folhas.
São plantas monóicas (um só sexo em cada planta), ainda que
cada uma apresente vestígios do outro sexo na forma de um óvulo
rudimentar ou de filamentos estaminais com anteras estéreis. O cálice e
a corola têm 4, raramente 5, elementos e estão ligeiramente soldadas na
base. Os estames são em igual número às pétalas, alternando com estas.
O fruto é carnoso, muito apelativo aos insectos pela sua
cor vermelha ou amarela viva. Floresce de Abril a Junho. Os frutos
amadurecem em Outubro mas mantêm-se na árvores durante muito tempo.
OCORRÊNCIA
Ocorre em toda a região mediterrânea e em Maiorca, nas
ilhas Balneares. Na Península Ibérica é mais comum nas regiões
setentrionais.
PREFERÊNCIAS
AMBIENTAIS
Ocorre em bosques e matagais umbrios, bem como em encostas
de montanha igualmente ensombradas. Pode subir até aos 1600 m. Requer
solos frescos.
CURIOSIDADES
O termo “Ilex” é o nome dado pelos romanos à
Azinheira mas que acabou por
ser aplicado ao azevinho pelas semelhanças entre as suas folhas e as da
sua antiga homónima.
Uma das tradições inglesas mais antigas, ritual datado do
tempo dos Druidas, é o de dar um beijo debaixo do visco (uma planta
parecida com o azevinho).
Nos castelos ingleses medievais, cepos maciços da sua
madeira eram também queimados, na esperança de arderem no período que ia
da véspera de Natal à Epifania (6 de Janeiro). Os seus fragmentos eram
guardados para acender o próximo toro do ano.
Foi a madeira escolhida para construir as janelas do
palácio real de Madrid.
Antigamente acreditava-se que as folhas do azevinho
maceradas e misturadas em vinho eram um óptimo tonificante. Tal facto
não está provado cientificamente, acreditando os cientistas que este
efeito se deve mais ao vinho que ao azevinho.
UTILIZAÇÕES
É cultivada como planta ornamental, usada principalmente
para adornos natalícios. A sua procura do azevinho para este fim foi tão
intensa que acabou por levar à proibição da sua recolha no nosso país,
sendo hoje bastante rara enquanto planta espontânea.
A sua madeira é de cor branca ou acinzentada, de textura
fina e uniforme. É muito pesada, não flutuando na água. É muito dura,
sendo difícil de trabalhar, mas é muito boa como combustível para
lareiras.
É uma espécie muito utilizada para sebes dado suportar
muito bem as podas.
A parte interna do ritidoma, cozida durante 7-8 horas,
deixada a fermentar entre 2 a 5 semanas e pulverizada e lavada com água,
dá origem a uma goma usada para caçar pássaros.
Tem também algumas utilizações medicinais. Às suas folhas
são atribuídas propriedades diuréticas. Os frutos são purgantes e
provocam o vómito.
Nuno Cruz António |