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O dia estava bom para
ficar em casa. Contudo o hábito é maior que a preguiça e, por isso,
levantamo-nos com a disposição de quem vai para férias num lugar exótico e
longíssimo.
Tínhamos tudo
programado: o equipamento, o percurso, as botas, a capa...
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Início do
percurso: 10Km! |
Mapa do
Parque. |
Rumámos em direcção a
Covide pelos locais habituais. A nossa chegada a Covide, de onde se inicia
a PR1 (Pequena Rota 1), constituiu factor decisivo para o regresso da
chuva. Não desanimando, deixámos as carrinhas no largo do coreto e, de
almoço às costas, munidos de mapa e de muito boa disposição, iniciámos a
partida.
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Café
Tosko |
Marcas a
obedecer... |
Parece incrível, mas a primeira paragem foi
no café "O Tosko" para tomarmos o café (elemento que, sem nos darmos por
isso, reparámos que faltava).
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Bom sinal... |
Virar à
direita... |
Lá reiniciámos o
percurso entrando no lugar de Campos: um conjunto de casas de lavoura com
gente muito simpática e bem faladora. Não se deixe enganar se lhe disserem
que siga em frente no primeiro entroncamento. Numa outra altura fizemos
isso e demo-nos mal. Vai passar pelo vale, um sítio inspirador e cheio de
encantamento mas, a verdade, é que baralha. Siga correctamente as marcas
do percurso que, aqui, com um x, impede a passagem e obriga a virar à
esquerda. De qualquer maneira cá vão duas fotos desse tal atalho para
seguir só para consultar em vez do psicanalista.
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Pronto a
abrir... |
Seguir... |
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Bucólico... |
Inverno... |
No referido entroncamento, onde está um
típico castro e umas alminhas, vire então à esquerda e suba.
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O castro. |
Alminhas. |
A passagem é, depois, pela
geira romana: um pequeno troço
da estrada romana que vem de Braccara.
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Histórico... |
À direita
para o carvalhal! |
Logo a seguir, siga pelo caminho da direita
a caminho do carvalhal. Depois desse carvalhal, vire à direita (aqui a
sinalização é fraca). O caminho abre-se e transforma-se em estrada. Repare
na passagem entre morros.
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Entre
morros... |
Aproveitamento. |
Vire à
direita pelo trilho... |
Ao fundo chegámos quase a um aproveitamento de água. Aqui,
junto a uma ruína de uma construção, vire à direita iniciando o verdadeiro
trilho para a aventura. Logo abaixo existe uma ponte de pedra para passar
com muito cuidado. Molhe os pés na água límpida e lave o suor da cara pois
tão cedo é um bem que não se verá.
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O pontão:
cuidado! |
Aproveite... |
A subida:
aprecie! |
Começa a subida. Siga o trilho. Nesta parte não há que
enganar. Vá devagar e leve água potável. Vá parando e bebendo, dependendo,
claro está, da temperatura ambiente. Mas, mesmo com mau mau tempo, vai ver
que essa água se vai transformar num bem muito precioso. Esta subida é de
uma beleza incrível, e nós, useiros e vezeiros nesta coisas do Gerês há
muitos anos, reconhecemos que, na realidade, são das paisagens mais
graciosas e fortes que já vimos. Olhe para o chão para ver as pedras do
caminho mas levante a cabeça para apreciar. Não se esqueça: divirta-se!
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A
cascata, ao fundo. |
A
cascata, a meio da subida. |
O
Abílio... |
Depois é andar, andar, apreciar, apreciar, seguir a
sinalização do trilho, apreciar, respirar, sentir-se vivo, enfim, confusão
de sentimentos que só por quem lá passa é capaz de os não conseguir
descrever.
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Passagem... |
A
subir... |
Para
parar... |
Agora nos apercebemos do factor militar desta zona no tempo
dos povos castrejos e dos romanos. Na realidade este percurso perpassa por
um conjunto de nichos, sombras, sentimentos assustadores, como quem olha
para um Deus criador, capaz de mover montanhas com estas, capaz de
amontoar, como se de uma construção de massa de barro se tratasse, rochas
megalíticas.
Depois de voltas e mais voltas, sempre seguindo o trilho e
as indicações sinaléticas, serpenteando ao sabor das pedras que marcavam o
trilho, eis que somos chegados a uma gruta, na altura com muita água.
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Emergindo... |
A paz... |
O sopé... |
Passando pela gruta, curvando-nos perante
tamanha força, emergindo das entranhas da montanha, avistámos a paz do
sopé do morro da Calcedónia. Ao fundo, a placa de identificação do sítio.
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A
entrada... |
As
placas. |
Olhar para a entrada e percorrê-la é de
cortar a respiração. Depois de tamanho esforço, levando aos limites
físicos, e por vezes psicológicos, os caminheiros, é-nos pedido,
inesperadamente, nova aventura. entrar e subir até ao cimo do morro.
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A fenda:
entre com cuidado! |
Assusta. |
Não nos fizemos rogados e, apesar de, na
altura, o frio e a chuva levarem vantagem, subimos com firmeza os
obstáculos que sobravam. Foi a coroa de glória por cima da nossa vontade.
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Lá de
cima... |
No
topo... |
Depois disto, descer torna-se um acto de nostalgia difícil
de percorrer. Valeu-nos, efectivamente, a beleza da descida. Enquadrados
por árvores como o carvalho (Quercus
robur) e o pinheiro (Pinus pinaster), descemos tendo sempre como pano de fundo Covide. O
serpentear foi maravilhoso. A cada passo uma descoberta de recanto, de
verde, de ar, de paisagem: levante a cabeça e aprecie. Não se deixe levar
pela tentação de estar sempre a olhar para as pedras do caminho. Foque a
sua atenção na largura dos 180 graus da sua visão.
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Iniciar o
fim... |
Covide ao
fundo... |
Carvalho! |
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Apontando... |
Natureza... |
Força... |
Inevitavelmente, o fim da caminhada
aproximou-se quatro horas depois. Esta foi uma verdadeira experiência de
resistência e de capacidade de apreciar as coisas que realmente
interessam; prosseguir um objectivo e apreciar o resultado deixando aquilo
que pouco interessa para trás: o cansaço.
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Cansados! |
Refrescante... |
Outra
ponte. |
Depois da descida, chegámos ao fundo, ao rio
que tínhamos atravessado junto ao aproveitamento quase no início da
caminhada e onde ainda não era perceptível o grau certo de dificuldade.
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Lameiro. |
Caminho:
outro carvalhal. |
Saudade... |
Aqui era a paz, o descanso. Acabáramos de
conseguir. Chegáramos ao fim: a placa o indicava; mas o cérebro prometia
mais. Até à próxima...
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Resturante
Calcedónia. |
O
principio... |
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