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O momento
em que tomamos a decisão de percorrer o caminho desde o entroncamento da
fonte de Lamas até ao Miradouro da Boneca transforma-se no momento
Kairós em que nos deixamos sintonizar com as nossas necessidades
interiores.
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Olho
de pássaro. |
Caos
de incêndio... |
A partir
daqui, apesar do caos que, por vezes, se observa neste percurso, seja
pelo amontoado granítico da Calcedónia, ao longe, seja pelo aspecto
acastanhado do chão, em parte devido aos incêndios, todos os momentos se
constituem Kairológicos e dignos de serem, um a um, apreciados.
É o tempo
do tempo por nossa conta.
Mas,
apesar disto, o tempo cronológico também nos acompanha e, por isso, há
que fazer contas ao tempo do percurso.
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Fonte
de Lamas. |
À
esquerda... |
Saímos do
entroncamento referido e, seguido pela estrada de terra batida,
rapidamente chegamos à placa indicativa do Miradouro da Boneca.
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Sombrio
e cinzento... |
Regato. |
Aí,
viramos à esquerda. O percurso torna-se sombrio, especialmente pela
presença de um pinhal alto do lado esquerdo. O caminho é fácil, sem
grandes subidas nem descidas.
Passamos
um regato e logo de seguida, encontramos novo entroncamento. A placa
diz-nos, desta vez, para virar à direita.
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À
direita... |
Fonte
da boneca. |
Percorremos um caminho sinuoso e algo esventrado até que, eis que
chegamos à fonte da Boneca (que neste dia de visita estava seca) onde
pode descansar e beber um pouco de água da sua garrafa de reserva.
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Seguir
o caminho... |
À
direita. |
Continuamos o caminho, acompanhados, desde há algum tempo, pela cor
negra dos incêndios que por ali passaram há pouco, até chegarmos ao
caminho feito de paliçada de madeira, guardado pelos totens, quais
guardiões dos caminheiros ocasionais a desfrutar do seu tempo
Kairológico.
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Guardiões. |
Passadiço. |
No fim
desse caminho, entra-se nas entranhas da rocha, serpenteando o caos até
chegarmos à varanda, objecto de decisão do dia.
Aí
chegados, foi só suster a respiração, abarcar com um olhar a paisagem
deleitosa que se nos abre e deixar voar o nosso tempo para o infinito,
reservando, no nosso entendimento, as imagens tão belas que este singelo
patamar nos deixa fixar.
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Degraus... |
... |
É o tempo
de respirar, de olhar, de não respirar, de fechar os olhos e pôr à prova
outros sentidos.
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Entranha
da rocha... |
Kairós. |
É um
êxtase.
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Respirar. |
Sentidos. |
Saímos daí
com vontade de, na nossa vida de trabalho, familiar, de amizade,
aproveitar melhor o tempo Kairológico em desprimor do tempo cronológico
que apenas nos deixa, como fim, o inevitável.
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Vivamos... |
750m. |
Vivamos,
pois, de novo esta aventura, num outro tempo.
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A
boneca... |
Êxtase. |