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Ouvimos falar de coragem...
Ouvimos falar de lobos... Era a altura ideal para alcançar o espaço de
coragem dedicado aos lobos em Fafião: o Fojo do Lobo.
Desta vez a aventura começou no Porto,
para não variar, onde um amigo nosso falou-nos, já há algum tempo,
do Fojo.
A decisão foi tomada e partimos para o Gerês
profundo.
Tomámos a A4 e saímos em Braga
onde seguimos a via rápida, que atravessa a cidade, até à Universidade
do Minho. Daí foi dar continuidade ao caminho pela velhinha estrada
de Chaves até Cerdeirinhas onde virámos para as Caldas do Gerês.
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Cruzamento para a
Ermida. |
Nova
aquisição do patrocinador. |
Depois de
Vilar da Veiga deparámos
com o cruzamento para a
Ermida, à direita. Subimos a estrada de
alcatrão até chegar à povoação de Ermida.
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Junto
às alminhas. |
Aí virámos à direita no entroncamento das
alminhas e deixamo-nos levar pela nova aquisição do nosso patrocínio
até à Igreja Paroquial. Parámos para observar a comunidade. Vimos casas de
pedra com uma traça despoluída que fez brotar em nós um
sentimento de bem-estar apenas possível aos eleitos. Que inveja das
pessoas que habitam aquele local...
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Espigueiro
na Ermida. |
...campos de
uma verdura... |
Seguimos o caminho por entre ruas
estreitinhas e apinhadas de ar puro e tranquilidade e saímos da
povoação como entrámos: sem dar nas vistas, com muita paz.
Percorremos um serpenteado de estrada por
entre muros e campos de uma verdura forte e intensa de sabores,
observando os lodos e as vides, com os seus ramos descarnados, à espera da
próxima Primavera para renascer.
Porém, o automóvel estancou perante o
aproximar de um vulto envolto em canas de milho seco. Era o nosso
guia autóctone ao qual perguntámos sobre as pontes, do Arado e do Fafião,
que restavam para atingir o objectivo da caminhada. A resposta, algo
invulgar, deixou-nos baralhados: "Passar as pontes depende...". À
nossa contra-pergunta "...depende da ponte?" ele respondeu: "...Não!
Depende é da coragem do condutor!!!...". Simpático e pragmático. Sem
querer, pôs a nossa mente a trabalhar. De repente fez-se luz. Terra de
coragens onde a nossa própria coragem era posta à prova.
É, de facto, precisa muita coragem para
passar as pontes. Principalmente a segunda: Ponte da Petigueira sobre o
rio Fafião.
A primeira, sobre o rio Arado, ficou logo a
baixo. Ela é, de alguma forma, descrita no "Já Estive Aqui..." em
Ermida: as cascatas do Tahiti.
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Ponte
e estrada para Fafião. |
O caminho, em terra batida, que leva da
primeira para a segunda é fértil em paisagens excepcionais, conjuntos
de Carvalho e fetos (nesta altura do ano castanhos) e água, muita água.
Percorremos a estrada muito devagar
saboreando todas as diferenças proporcionadas pelas curvas e
contra-curvas.
Chegados à Ponte da Petigueira, aí
sim, o primeiro hino à coragem. Parámos junto ao velho carvalho.
Olhámos, reflectimos e decidimos: passar e seguir em frente, apesar do
péssimo estado da ponte.
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Um hino à
coragem. |
Ponte da
Petigueira. |
Fechámos os olhos e, acelerando com vigor e
determinação, passámos para a outra margem através de um misto sonoro
constituído pelo motor 1.6 16V em adiantado estado de aceleração, o ranger
das tábuas e o bater dos pregos.
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Felizmente... |
Repare
bem... |
Quando chegámos à outra margem, já
aliviados, voltámos para trás, agora a pé, a fim de analisar o
verdadeiro estado da ponte que acabáramos de passar. Encontrámos duas
estruturas em pedra, fazendo de suporte, uma em cada margem. No centro do
rio um corta-mar também em pedra. A unir tudo isto grossos troncos de
madeira cobertos de tábuas semi-(des)pregadas e um parapeito mais ou menos
direito.
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Os
exploradores saboreando... |
Oliveira e
olivas |
Apesar de tudo venceu a coragem!
Também aqui mau era se fora o contrário...
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Ponte sobre
o Rio Toco. |
Subindo ao
monte. |
Para descontrair percorremos o caminho
que leva ao cimo do pequeno monte, em frente, ladeados por pequenas
oliveiras cobertas de fruto. Passámos um pequeno pontão e começámos a
subir um escadario que nos levou ao cimo do monte de onde se tinha uma
panorâmica muito acolhedora. Filmámos ao longe o carro e a ponte da
coragem. Vimos o percurso do rio Fafião com as poças e fundões. Fomos
testemunhas do desleixo que por estas bandas existe em relação às ponte na
pessoa de uma outra, mais acima, essa sim sem possibilidade sequer de
passar um animal...
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Carvalho e
fetos. |
Becos e
escadinhas... |
Depois deste período contemplativo
voltámos ao carro e conduzimo-nos até à entrada de Fafião. De novo as
ruas repletas de pedra e silêncio entrecortado, volta e meia pela sorte
das pessoas que lá habitam.
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Bom... |
Em Fafião. |
Chegámos ao cruzamento já conhecido em
Aproveitamento Hidroeléctrico da Venda Nova (Rio Cabril) onde
deparámos com o café "Retiro do Gerês". Aí almoçámos boa carne da
região acompanhada com o já célebre néctar, retirado pelas pessoas
da zona das vides e transformado em vinho. Simpática aquela gente...
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"Retiro do
Gerês" |
Vire à
esquerda. |
Saímos do restaurante em direcção às casas
de pedra e demos a volta virando à direita. Nesse largo virámos à
esquerda. Subimos e no fim da subida um pequeno entroncamento. Virámos à
direita e logo aí, ao fundo, começámos o ver os muros, em pedra,
muito altos. Junto à casa nova virámos à direita e, seguindo o dito muro,
percorremos o caminho até chegar a uma poça em cimento. Continuando
o caminho entrámos por uma abertura sem porta na confluência de
dois muros. Quando reparámos estávamos dentro do Fojo. A estrutura
afunilada não enganava ninguém.
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Vire à
direita. |
De novo à
direita. |
Descemos a encosta por entre os pinheiros
e as giestas até ao fundo. No fim lá estava o poço, mais ou
menos com três metros de altura, onde caía o lobo depois de enxotado pela
encosta abaixo pela população. Que coragem e engenho a desta gente.
Pensar e enfrentar o lobo...
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Poça junto à
passagem. |
A
entrada do Fojo. |
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Paredes
laterais. |
Ao fundo o
poço.. |
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3
metros de altura... |
O funil da
morte. |
Trata-se de uma estrutura em pedra com
paredes de sensivelmente dois metros de altura que afunila e desce pela
encosta do monte. A vegetação está intacta o que permitia que o lobo não
desconfiasse que estava a ser guiado para a morte.
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Outra
perspectiva. |
Muro
lateral. |
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Muro da
parte de cima. |
Harmonia. |
Depois da contemplação habitual da
estrutura e paisagem que a rodeia, voltámos a nós e fizemos o caminho
até ao carro que tinha ficado junto ao restaurante.
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O trabalho. |
Localizando-nos. |
Satisfeitos com as provas de coragem
pensámos voltar ao rebuliço da cidade não antes sem parar nas Caldas para
saborear uma boa sandes de presunto.
O dia estava passado. Anoitecia suavemente.
era hora do regresso
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Trabalho
retirado do ex-site
www.trasosmonte.com
O Fojo aqui estudado não é o
de Fafiães mas, no nosso entender, ajuda a perceber o seu funcionamento.
Texto de
luís c.
teixeira
Na
Pele do Lobo
Ou a
demonstração de uma das mil maneiras de tipificar o mito do lobo mau
no universo infantil! Primeiro passo para a histeria colectiva que,
ainda hoje, este predador provoca. Capuchinho Vermelho. Um clássico da
literatura infantil que, apesar de tudo, se pode e deve comentar.
Criticamente. As orelhas dos lobos até são relativamente curtas e os
dentes caninos são proporcionalmente mais pequenos do que em outros
canídeos!
Urge pois
desmistificar esta e outras histórias. Como a dos Três Porquinhos.
Reinventem outros contos infantis! Verdadeiras infantilidades.
Reargumentem novos filmes! O lobo não é sempre o mau da fita...Quem
tem medo do lobo? Ou do lobisomem? Todavia, mesmo na filmografia
hollywoodesca existem excepções onde este animal é tratado com a
dignidade que merece! Um exemplo. «Mulher Falcão» («Lady Hawk») com
Rutger Hauer e Michelle Pfeiffer.
Curiosamente preservar os Fojos do Lobo — essas “armadilhas
seculares para a captura do lobo” — significa também contribuir para
recuperar a identidade do lobo enquanto predador e/ou presa.
Simplesmente animal. Ser vivo. Sentimentos! No fundo, estudar
simultaneamente o Património Natural e Cultural. O mote para tal
objectivo surgiu com a “descoberta” do FOJO do LOBO da SAMARDÃ. Pequena
serra localizada algures entre Vila Real e Vila Pouca de Aguiar.
Trás-os-Montes.
O FOJO
Trata-se de
um recinto fechado, feito em pedra, que corresponde grosseiramente a uma
oval irregular equivalente sensivelmente a dois terços de um campo de
futebol. O muro é constituído por pedra irregular com pequenos megálitos
junto à base. Na parte superior do muro — como podemos observar na zona
Oeste, a mais bem conservada — foram colocadas lajes de pedra que são
mais largas que a grossura deste. Designadas cápeas, e que aqui até são
ligeiramente pontiagudas, serviam para impedir a saída do lobo. Antes
deste momento, a entrada do lobo deveria fazer-se pela parte Norte já
que no exterior existem rochas naturais encostadas à parede que
facilitariam o acesso ao Fojo.
Este
monumento de inegável valor patrimonial parece pertencer à tipologia dos
Fojos de Cabrita. Os iscos colocados no interior, para atrair o lobo
eram alternadamente cabritos ou ovelhas. Mancas ou tinhosas. Doentes.
Ainda no
interior verificamos, à semelhança de outros monumentos idênticos, a
existência de um grande rochedo, entre outros mais pequenos, no qual o
animal a caçar se refugiava. Isto acontecia porque o lobo cedo se
apercebia que caíra numa cilada. Fatal. Muitas vezes bastava um só tiro!
Mas nem sempre... como confirma António Lagoa que conhece a serra quase
tão bem como o seu pai. Matias. «Uma vez o lobo subiu ao penedo grande
e, talvez devido ao seu porte ou desespero, conseguiu saltar para fora
do Fojo.» Uma honrosa excepção para o lobo, mas uma agonia para o homem.
Inverteram-se os papeis! «A ovelha era colocada à noite no Fojo»,
conclui António. Por causa do cheiro...
Estrategicamente este Fojo da Samardã situa-se junto a uma linha de agua
embora o solo seja pobre, o que não é de estranhar.
No
interior, em termos de vegetação, nada está substancialmente diferente.
Caso contrário, o lobo poderia suspeitar de anormalidades neste
corredor da morte. Deste modo, predominam as giestas, pinheiros e
urzes. Fora e dentro. As acessibilidades a este local são facilitadas
quer pela natureza do relevo quer pelas proximidades das aldeias.
Samardã. Vilarinho de Samardã e até Covêlo, na fronteira entre o
concelho de Vila Real e Vila Pouca de Aguiar. Muitas vezes, a utilização
do Fojo era feita imediatamente após um pastor, desta aldeias, ter tido
prejuízos causados pelo lobo. No fim da batida exibia-se o trofeu! «Em
cima de um jumento — contava o meu pai — o lobo (ou o que restava dele,
a pele) dava a volta à aldeia em troca de uma esmola destinada a cobrir
os danos causados a esse pastor». Prática ainda muito comum nos inícios
do século, confidencia António Lagoa.
Esta
pequena serra que conflui com as fraldas do Alvão (zona de Cerva e
Gouvães da Serra) era uma intensa zona de caça. Ainda hoje... A prová-lo
está a toponímia existente nas vizinhanças do Fojo. Couto da Serrapa.
Cabanões. Cabeça de Cabrito. Sintomático!
DO LOBO
O lobo é um
animal. Como o homem. Social. Protege a família. Delimita o seu
território. Com mijo e dejectos. Reage sempre que alguém entra na sua
área vital quase sempre coincidente com o território. Nem que sejam
os primos ou lobachos de uma alcateia vizinha. Porque é o seu
local de alimentação, reprodução, refúgio, abrigo e brincadeira. E o
Homem? Não faz isso quando alguém salta para o seu quintal e/ou invade a
sua privacidade? Pior! Frequentemente ataca por raiva e não para
sobreviver...
Ao
contrário do lobo que é um predador. Necessita pois de matar outros
animais para sobreviver. Como o leão. Rei da selva. Ou a águia. Real?!
Animais com statu quo. Símbolos de clubes e organizações
políticas. Logo aceites pelos indivíduos e governos. Respectivamente.
Como se
compreende então o facto do Homem estar prestes a conseguir extinção do
lobo? Primeiramente devido ao mito, enquanto erro histórico, de que o
lobo ataca o Homem. Pensamento incorrecto até porque, na esmagadora
maioria das vezes, procura evitar o contacto com o ser humano. Depois,
porque o lobo cada vez mais depende dos animais domésticos para a sua
sobrevivência. Por exemplo, da cabra na população lupina do Parque
Natural do Alvão. Este comportamento provoca uma perseguição directa e
quase obsessiva ao lobo. Sem dúvida que os pastores estão a pagar, em
certa medida, a conservação do lobo mas a questão é mais complexa do que
parece. Antes de mais, existem um conjunto de factores imputáveis à
acção do Homem que conduziram a esta situação: a redução drástica das
espécies silvestres, a degradação do habitat natural do lobo mormente
devido aos incêndios e ao desenvolvimento da rede viária, a ausência de
incentivos à pastorícia tradicional, o desinteresse do pastor em
conservar exemplares de cães para a protecção das presas domésticas
como, por exemplo, o cão de gado transmontano. Acrescente-se ainda que
uma tempestade ou doença epidémica também pode causar prejuízos. Na era
das subsídiodependências recomenda-se paciência!
Outra
confusão que deve ser esclarecida remete para a necessidade de
referenciar a presença de cães vadios (Parque Nacional da Peneda-Gerês)
responsáveis igualmente por ataques na pecuária. Mais! Habituado a uma
relação de confiança com o Homem num período anterior, o cão
assilvestrado pode eventualmente atacar o homo sapiens sapiens.
Mas. O lobo (canis lupus) parece ser a única vitima! Desesperado
recorre à necrofagia, a lixeiras e vazadouros como alternativa à
sobrevivência. Esta luta desleal contra o veneno do Homem só cessará
quando a educação ambiental e/ou ecológica definir um rol de estratégias
que conduzam a uma informação verdadeira sobre a natureza deste
carnívoro. Até porque, antes da sedentarização (cultivo da terra e
criação de animais), o Homem respeitava o lobo e o seu instinto de
predador. Exemplo disso eram as tribos ameríndias.
Contudo a
ameaça paira também sobre os Fojos do Lobo votados ao esquecimento. As
condições climatéricas e o “roubo” de pedra aparelhada para as
construções fez o resto. Devido a este estado de degradação progressiva,
emerge ideia de inventariar e classificar estes monumentos. Obviamente
de interesse público. No mínimo... Além disso, a tradição oral, eivada
dos habitantes das aldeias próximas, pode revelar pormenores da sua
utilização e percurso histórico. No caso particular do Fojo da Samardã
constatam-se friamente estes problemas, aos quais devemos acrescentar a
infeliz ideia de ter colocado, nos penedos do interior do Fojo, duas
placas comemorativas de instituições ligados ao burgo mais próximo. Ou
seja à capital da região!...
Lobo e Fojo
representam marcas do nosso Património. Natural para o primeiro;
Cultural e/ou Etnográfico para o outro. Mas ambos têm um denominador
comum. O Homem. Enquanto predador dos outros ou presa de si próprio.
Ad referendum.
BIBLIOGRAFIA
CARREIRA, Rita e NASCIMENTO, José — Construção de Novas
Vias Rodoviárias: Impactos no População Lupina in revista «Erica»,
n.º 29, Parque Natural do Alvão, 1997.
CARREIRA, Rita — Situação Populacional e Biologia Alimentar do
Lobo na Área de Influência do Parque Natural do Alvão, Relatório de
Estágio, Departamento de Zoologia e Antropologia da F.C.U.L., Lisboa,
1996.
FONSECA, Petrucci e LYLE Robert — O Lobo, 2ª Ed.,
Grupo LOBO, 1992.
LEWIS, Ann — Capuchinho Vermelho, Trad. Port.,
Electroliber, s/ data.
MOREIRA, Luís — O Lobo no nordeste de Trás-os-Montes,
Património Natural Transmontano, Mirandela, João Azevedo Editor,1998.
VÁRIOS — Alguns Vertebrados do Parque Nacional da Peneda-Gerês,
Edição P.N.P.G., Braga, 1987.
FOJO DO LOBO DE FAFIÃO
O fojo, inicialmente uma cova funda dissimulada
com ramagens e alguma terra usada na caça e nas próprias tácticas
militares medievais, passou a designar, mais tarde, as grandes
armadilhas para lobos: extensos muros seguindo o relevo natural,
correndo paralelamente durante centenas de metros e apertando-se
progressivamente no seu troço final até à cova profunda de onde o animal
não podia sair. Os fojos estão associados às batidas, exercício de caça,
sinónimo de tomada de posse dos baldios serranos e de domesticação do
território, mas também destinado a esconjurar antigos medos
personificados no lobo bravio, senhor dos matos e das silvas escuras.
Caçadores e cães cercam a vasta área onde foi localizado o lobo,
encurralando-o e obrigando-o a seguir por entre os muros do fojo. Ao
animal resta-lhe percorrer o itinerário que conduz ao poço situado no
seu termo onde posteriormente será morto.
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