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A
um dedo de distância... |
Serra! |
Serra!
E qualquer coisa dentro de mim se acalma…
Qualquer coisa profunda e dolorida,
Traída,
Feita de terra
E alma.
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Subia
aos céus... |
Na
pedra talhada pelo Homem... |
Uma paz de falcão na sua altura
A medir as fronteiras:
- Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bico a picar estrelas verdadeiras…
(Miguel Torga – Gerês, Pedra
Bela, 20 de Agosto de 1942 – Diário II)
Na
placa descerrada no dia 12 de Agosto de 2007, junto ao Miradouro da
Pedra Bela
100 .º
aniversário do Nascimento de Miguel Torga
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Fonte
do Curral do Gaio... |
Para
o alto... |
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Outro
mundo... |
Casca
de pinheiro... |
"...
qualquer coisa dentro de mim se acalma..." quando penso subir à Serra.
Por vezes temos de reconhecer de que nem sempre estamos nas melhores
condições físicas para cumprir as palavras de Miguel Torga mas, o
destino é mais forte do que nós.
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Encruzilhada:
à direita. |
Água
sempre presente. |
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Direcção:
Pedra Bela! |
Estacione. |
Só Deus,
seja ele qual for, para ter criado este lugar. O céu está a um dedo de
distância e a vista que se avista apenas torna claro o regresso...
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Passagem
para a perfeição... |
O
caminho de "Deus". |
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Recordação
- regresso. |
A
nossos pés... |
Se estou
perto dos céus, do encanto celestial, de Deus, então subir até Ele
torna-se uma peregrinação feita buscando-O a cada recanto. Vejo-O na
casca do pinheiro que deliciosamente cobre a árvore e motiva a aranha a
tecer a sua teia, na folha lilás que, ziguezagueando, se encosta chão, na
pedra talhada pelo homem armada em mesa de inumeráveis convívios
familiares, no beijo prolongado a que duas almas se emprestam, na crina
esvoaçando ao vento, no mastigar horizontal do cabril...
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Sob
a garra... |
Esta
contemplação... |
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Esta
coisa profunda... |
O
novo... |
Mas, onde
Ele está é lá no alto, onde está "... o bico a picar estrelas
verdadeiras..." Aqui a visão se alarga, o peito enche-se de ar, os olhos
se arregalem abrindo a íris e tornando-a espelho de beleza magnífica
onde se fixa a Portela do Homem, a Mata de Albergaria, o Pé do Cabril, a
Calcedónia, a foz do Caldo, a Caniçada, ...
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Re-gradi... |
Indicação. |
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Páscoa
para o novo... |
Aranhas
tecendo... |
A nossos
pés, "... sob a garra dos pés a fraga dura", o magma, a rocha milenar
indicando que as forças desse Deus ali estiveram e estão presentes.
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Compartilhando... |
De
novo... |
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Escadas
para o céu. |
Fonte
do miradouro. |
Esta
contemplação, esta experiência, esta epifania provoca-nos "... uma paz
de falcão na sua altura; a medir as fronteira..." daquilo que nós somos
e daquilo que Ele é. Aqui somos um só.
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... |
... |
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Uma
paz de falcão... |
Aqui somos um só... |
Essa "...
coisa profunda..." faz-nos voltar a caminhar, caminhar de novo a
este local, re-gradi, regressar...
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Essa
coisa profunda... |
Faz-nos
voltar a caminhar. |
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Na
folha lilás ziguezagueando... |
Adeus. |
É isso!
Não resisto. Tenho de me ir mas regressarei.
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À
direita... |
Para
a Ermida. |