Mapa do Sítio          Política de Privacidade          Normas          Contacto

 

www.serra-do-geres.com

 

A página, não oficial, da serra mais espectacular de Portugal
 

Acolhimento Localização Cidades, vilas e aldeias Já estive aqui... • A fauna A flora Comunidade Gastronomia Alojamento Links <BGSOUND src="">

Poço Azul: a epifania...

No Google Maps... No YouTube...

Outras perspectivas...

http://no-geres.blogspot.com/2008/07/c-do-arado-malhadoura.html

http://pegadaebota.blogspot.com/2008/07/cascata-do-arado-malhadona-poo-azulrio.html

http://no-geres2.blogspot.com/2009/07/poco-azul-rio-conho-11072009.html

Estas e outras fotografias do Poço Azul no Picasa...

http://picasaweb.google.pt/serra.do.geres.com/PocoAzulAEpifania#

ðSe quiser ver as fotografias no tamanho original, clique nelasï

Partilhar

Há coisas que não se revelam. Há sítios que são sagrados. Há percursos escondidos que são pessoais, de calma, de reflexão, só nossos...

Sítios sagrados...

Água fonte de vida.

 

Já passaram muitos anos desde a primeira vez que aquele caminho se transformou em hábito. O pastor assim o indicara: é um poço, um autêntico poço azul... Aquele sítio, aquele espaço de calma, de harmonia, de vida, de morte, ficara entre nós. Nunca fora revelado aqui no www.serra-do-geres.com. Esse e muitos mais que são nossos, apenas nossos.

Com o passar do tempo, vários blogs foram referindo esse espaço. Logo os e-mail's chegaram com perguntas sobre o caminho real para o Poço Azul. Dá-se, hoje, então a epifania, a revelação do caminho para um dos pontos mais fantásticos do Gerês.

Dez anos depois, lá fomos de novo ver como aquilo estava, o Poço, também com o objectivo de fotografar.

Bosque de tal intensidade...

A força do glaciar.

 

Este percurso inicia-se, precisamente, onde é proibido passar de carro. Depois de chegados à ponte do rio Arado, levámos os carros até mais acima, a um espaço que serve de "estacionamento" para os carros e onde se encontra a cancela juntamente com o sinal de proibição.

...

O carro votado ao esquecimento.

 

 

Colocámos as mochilas às costas, apenas com o calção de banho e muita água, chapéu na cabeça, protector nos braços e arrancámos.

Ao alto a placa.

Interdição de passagem a carros.

 

O início foi interessante vindo à nossa memória outros tempos, mais jovens, em que percorríamos esta distancia, de cerca de 1:15m, sem dar conta. Os anos pesam e a nossa apreensão ia para o facto de percebermos em que condições físicas estávamos.

Estacionamento e entrada, ao fundo.

Parede do Arado.

 

A primeira paragem foi perto: a fonte das Letras encontrava-se à nossa direita pronta para saborearmos a sua água e para aproveitarmos a sombra do carvalho, preparando os músculos para a caminhada que se avizinhava. A placa da Fonte já tivera melhores dias. Neste dia encontrava-se partida deixando alguma dificuldade, a quem não sabe, de perceber o nome.

O carvalho na fonte.

A fonte das Letras ou das Leiras.

 

A estrada afigurava-se boa para a caminhada.

Continuando, observámos a paisagem sem fim do lado direito, com a serra da Cabreira, em Vieira do Minho, ao longe. Andámos sem dar por isso, atravessando bosques e penedias, penetrando no reino misteriosa da Malhadoura.

Granito: presença constante!

Água: refrescante olhar.

 

O caminho com alguma sombra.

A floresta ladeando a estrada.

 

Ao virar do caminho, intensificam-se os afloramentos rochosos com enormes pedras de granito desafiando as leis de Newton. De repente, estamos noutra dimensão: do lado direito, o promontório de onde se tem uma das vistas mais magníficas do Gerês;

Branda do "promontório".

As vistas...

 

do lado esquerdo, a Vezeira da Ermida com o seu pequeno curral embutido nas rochas e a sua porta de madeira, o espaço de festa e de culto, infelizmente estragado com objectos de uso corrente de conforto humano. Parámos. Fomos  ao promontório. Aí ficámos por largo tempo deixando o silêncio dominar a altura e as alturas, tentando ouvir a montanha. Depois debruçamo-nos mais sobre a a Vezeira, analisando e conjecturando sobre as várias gerações de pastores que por ali passaram e pernoitaram...

 

O curral da Vezeira da Ermida.

Rocha indicativa.

 

Prosseguimos. Como o calor já apertava, refrescámo-nos na fonte da Malhadoura não sem antes admiramos o velho carvalho que, sendo um exemplo de longevidade, desafia o vento com a sua força, cortada talvez, pelo golpe de um raio que o esventrou.

A fonte da malhadoura.

Raio...

 

Andando ao sabor das botas, chegámos àquele que poderá constituir um elemento de confusão no percurso para o Poço Azul. Depois de atravessar uma pequena linha de água, confrontámo-nos com um espaço amplo mas cheio de árvores constituído pelo curro dos Portos, fonte da Tribela e Forno dos Portos.

Curro dos Portos.

Fonte da Tribela.

Forno da Ribeira.

 

Encontrámos um pequeno entroncamento , onde está uma pedra outrora suporte de placas indicativas do Parque, que deve ser seguido pela direita, em direcção ao curro dos Portos. Por detrás dessa pedra está a placa indicativa que estamos na Malhadoura, a uma altitude de 733 metros.

Entroncamento: direita.

Faltam as placas...

Registo...

 

Nós aproveitámos e, mais uma vez, permitimo-nos subir o nosso nível de líquido, restabelecendo-o na fonte da Tribela, facilmente identificável junto ao muro do curro.

À esquerda a fonte; em frente o Curro.

Fronte da Tribela: promenor.

 

Continuámos o caminho, visitando o Forno da Ribeira, observando a ajuda que ele é para os pastores e para os viajantes repousarem um pouco. Do outro lado, admirámos a força do muro que rodeia o pedaço de campo onde pastam os cavalos e vacas sem poderem escapar.

O Forno da Ribeira ou Abrigo dos Portos.

Entrada do Curro dos Portos.

 

Seguimos em direcção ao curro da Tribela. Avançámos por outro bosque magnífico de carvalho e salgueiro indo desembocar a um cruzamento vigiado pela enorme pedra com a indicação do nome do sítio onde acabáramos de chegar: Tribela,. Os meus amigos portistas, como são muito religiosos, lembraram-se logo da Quaresma...

O cruzamento da Trivela: vire à esquerda!

Pedra indicativa.

 

Virámos à esquerda e contornámos o muro da "casa do doutor" - não dei de quê - que ocupa todo o curro da Tribela. Este curro não é propriamente para não deixar o gado sair. É antes para não deixar ninguém entrar. Trata-se de um espaço cuidado, aparentemente com todo o conforto moderno e com piscina, estando os jardins muito bem cuidados.

O cruzamento da Trivela: vire à esquerda!

Pedra indicativa.

 

Passámos defronte do portão da cerca da "casa do doutor" rumo à ponte de Servas sobre o rio do Conho. A estrada de terra batida estava agora transformada em caminho rústico e um pouco perigoso para os tornozelos sensíveis. Como íamos de botas, nada a recear.

Servas, ao fundo...

...

 

Fizemos a descida íngreme para o rio, saboreando as paisagens agrestes do vale. Rapidamente alcançámos a ponte.

Chegando à ponte...

Servas, a ponte...

 

 Atravessando-a, iniciámos a subida, também ela muito íngreme, em direcção a um caminho florestal largo e em terra batida. Aqui chegados, virámos à esquerda.

Trilho depois da ponte.

Na estrada, à esquerda...

Sem nunca nos desviarmos dessa estrada, chegámos ao curral de Pinhô. Trata-se de um espaço delimitado por uma cerca moderna de madeira, tendo no seu interior uma pequena casa muito cuidada no aspecto exterior. Não entrámos. Quisemos respeitar a cancela fechada. No entanto, não pudemos deixar de observar o altar a alguma coisa em que se transformou a rocha bicuda que encima a casa e em cujas traseiras está o grelhador.

Siga até ao Curral do Pinhô.

A cerca do Curro...

 

A casa do Curro do Pinhô.

Repare no boneco...

 

Quem chega ao Curral, do lado esquerda, pode ver um conjunto de enormes cedros carregados de pinhas de cedro. O caminho é por aí. Agora transformou-se em caminho de pé posto. Avance sem receio, primeiramente seguindo as mariolas e, depois, o tubo preto que nos acompanhará nos próximos 1500m.

Mariola no início.

Roca Negra.

 

Seguimos por aí, percorrendo essa distância com um misto de redescoberta, de encanto, de paz e de vontade: de redescoberta porque havia muito tempo que não percorríamos estas pedras; de encanto porque estas paisagens e este misto de força da rocha e da água fazem-nos encantar pensando nas forças enormes exigidas para a formação daquele granito metamórfico e das forças de erosão que estão acabando esse trabalho; de paz porque o silêncio em que nos colocámos levou ao saborear a tranquilidade destes sítios: de vontade porque era grande a vontade de perceber como estava aquele local depois de tantos anos e de mergulhar no Poço.

Passe por baixo...

Siga e aprecie.

 

Atravessámos penedos e fragas, troncos calcinados, restos de incêndio, e linhas de águas, sempre acompanhados pelo troar das águas do rio de Conho - do lado esquerdo - que, com o passar dos metros, nos surgia mais forte. Ao longe, espreitando por entre as paredes do vale, aparecia o Caucão, afectivamente apelidado pelos residentes de Penedo Furado, qual guia, farol nas incertezas do caminho.

Passe por baixo...

Siga e aprecie.

 

Em determinado ponto, já quase junto ao Poço, atravessámos o rio junto a uma enorme árvore de azevinho. Continuando, chegámos a um pequeno patamar com resíduos daquilo que aparentemente parece ser construções de turistas que para ali foram arrastando pedras com o objectivo de confeccionar aperitivos, depois de uma longa e privilegiada caminhada e e antes de saborear as águas geladas do Poço Azul.

Atravesse o rio: azevinho.

Patamar antes do poço.

 

Passando à frente e seguindo o trilho, eis que chegámos ao nosso destino. Por entre as ervas do caminho e as rochas que dificultam a visão, aparece, com algum ruído tranquilo de água, o Poço Azul.

Eis o poço!

...

 

Trata-se de um enorme buraco, possivelmente com 4 a 5 metros de profundidade, com óptima visibilidade e com  excelentes apoios naturais para o mergulho e saltos para a água. Pode fazer isso. Merece-o mas, quando puder, pare. Escute e olhe à volta. Aprecie a harmonia, a paz.

Os caminheiros usufruindo.

...

 

Suba pelo lado esquerdo do Poço e confronte-se com a razão do nome: visto de cima, as suas águas têm mesmo a cor azul...

Visto de cima: azul!

Preparando-se.

 

Ficámos, por aqui, algum tempo desfrutando do tempo magnífico que estava e da temperatura da água para restabelecer o equilíbrio calorífico dos nossos corpos.. Foi, mais uma vez, magnífico. Nova epifania. O retirar do véu sobre um dos sítios mais bonitos desta Serra . A verdadeira revelação. Percebemos, então do porquê de tanto tempo ter ficado este sítio escondido.

Para cima é o horizonte...

...

O regresso fez-se pelo mesmo caminho, reapreciando tudo aquilo por que passámos à ida, de modo a apercebermo-nos melhor das belezas e mistérios dos sítios por havíamos passado.