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Poço Azul: o experiente...

No Wikiloc... No YouTube...

Estas e outras fotografias do "Poço Azul: o experiente..." no Picasa...

http://picasaweb.google.pt/serra.do.geres.com/PocoAzulOExperiente#

ðSe quiser ver as fotografias no tamanho original, clique nelasï

 

Hoje o dia estava quente. Muito quente. Decidimos ir ao Poço Azul, agora já revelado. Para variar o percurso, pensámos ir por Fafião. Assim pensámos, assim fizemos.

Chegada a Fafião...

Rua.

 

Chegámos ao Fafião por volta das 10:00H. Fomos, desta vez, ao café "Fojo do Lobo" onde iniciámos o dia com café e meio bagaço que nisto de caminhar temos de parecer homens de barba rija.

Porta em Fafião.

O lavadouro público.

 

Quando nos metemos ao caminho, ainda de carro, percorremos as ruas estreitas de Fafião encarando ainda o palco montado para as rijas festas de Santiago (25 de Julho). Antes de aí chegados, abrandámos o carro cumprimentando uma velhinha que lavava a roupa no tanque comunitário. À nossa pergunta de se por ali íamos bem para ir ao Poço Azul, ela respondeu um enigmático "... Só para pessoa experiente..."

A velhinha...

É ali.

 

O meu cérebro é complicado. Veio-me logo à ideia um professor que tive no Liceu D. Manuel nos idos anos de oitenta que, sendo provocado desta maneira por um aluno respondeu em grego, decompondo a palavra: ex-peri-ente - ex significa "para fora"; per é um radical cujo significado é "à volta de" e ente pode ter dois significados: ente como conhecimento máximo e perfeito ou então, para os mais religiosos, pode significar Deus como entidade máxima desse mesmo conhecimento. Dizia então esse professor que experiente é todo aquele que, visualizando o exterior dos objectos, vendo tudo aquilo que nos é dado observar por esse facto, com o processamento do seu cérebro, chega ao conhecimento. 

Estávamos safos.

A subida inicial. Muita preparação física...

Carro estacionado.

 

Já havíamos andado tanto naquela serra que esse conhecimento tínhamos nós.

A ponte da pigarreira.

Que saudades dos pregos à vista...

 

Seguimos caminho e, parando o carro do lado de cá da ponte da Pigarreira, preparámo-nos para a caminhada que se avizinhava.

Fragas do rio Conho.

Ponte do rio Conho.

 

Na ponte referida, virámos à direita em direcção à ponte do rio Conho. Esse mesmo, o rio do Poço Azul. A ponte da Pigarreira fica ligeiramente a jusante da foz do rio Conho no Rio de Fafião (há quem chame a esta parte do rio de rio Toco em homenagem ao monte que fica do lado esquerdo da foz do rio Fafião no rio Cávado).

Primeira paragem, junto à oliveira...

Perspectiva do camunho.

 

Subimos de um só fôlego essa escadaria já falada em "Fojo do lobo em Fafião: um hino à coragem!...".

Passámos em cerca de 10m de 361m para 461m. Pessoalmente, não aguentei. Tive de parar e nessa paragem para recuperar açucares e fôlego lembrei-me da velhinha, da palavra dita por ela "experiente" e daquilo que realmente ela queria dizer: Provavelmente não se queria referir a um indivíduo com experiência e conhecimentos da serra, pois nisso já vão vinte e sete anos..., mas sim a indivíduos com conhecimento da sua condição física: ao ver-nos passar num carro moderno, de cidade, ter-se-á apercebido logo que a condição física dos ocupantes não estaria pelo melhor, para aquele início abrupto do percurso. Sábias palavras!

Já no alto...

Paragem para repor açucares... Ex-peri-ente!

 

Perante esta falha e esta arrogância pessoal perante a serra, decidimos fazer o percurso muito mais pausadamente porque dali para a frente iria piorar. Estávamos a 461m de altitude e tínhamos de subir (sempre a subir) até aos 776m.

Fraga do Conho.

Fojo, ao longe.

 

Percorremos sempre o estradão principal apreciando o vale final do rio Conho e as suas escarpas, ao longe o fojo do lobo de Fafião e, sempre espreitando as enormes pontas à nossa frente e lá cima, o nosso destino intermédio. Até assustava. Nós já cansados, sem a tal experiência de que falava a senhora a olhar para o alto...

Sempre a subir.

Efeitos na rocha.

 

Caos de blocos: diaclases.

Primeiro ponto de água.

 

Apesar de tudo, seguimos caminho. Parámos junto a uma bica de água fresca num entroncamento de caminhos. Depois de nos refrescarmos seguimos viagem sempre pelo estradão principal.

Chã de Touro de Trigo.

Monte perto do curral do Pinhô.

 

Passámos pelo Chã de Touro de Trigo onde se apanha a única ligeira descida do percurso até ao curral de Pinhô.

Única descida do percurso, para a poça.

Água fonte de vida.

 

Ao fundo dessa descida uma poça de água de um dos pequenos afluentes do rio Conho. Apetecia tomar banho. No entanto, decidimos prosseguir porque a hora estava já adiantada pelo nosso retardar da subida.

Habitat de sapos e cobras de água.

Bebedouro natural dos bovinos.

 

Logo a seguir tivemos de abrir uma cancela metálica para prosseguir.

A cancela: evita a passagem do gado.

Carvalho com 300 anos.

 

Daqui para a frente foi sempre a subir em ziguezague até chegarmos ao entroncamento com o caminho da Rocalva, já muito perto do curral do Pinhô.

Chegada à encruzilhada da Rocalva.

Chega-se da direita...

 

Granito com diaclases.

Poça de água perto da encruzilhada.

 

Seguimos o caminho pela esquerda até chegar à casa do relógio, dentro do curral. Aí parámos algum tempo a descansar aproveitando a fonte em pedra que debita água de alta qualidade. Estávamos então a 776m e tínhamos acabado de fazer um percurso sempre a subir impróprio para pessoas cuja experiência física seja fraca, fruto, talvez, do sedentarismo que nos é proporcionado pela cidade.

O curral do Pinhô.

A fonte do Pinhô.

 

Entrada da casa do relógio.

Lareira dentro da casa do relógio.

 

Pode servir-se... Deixe como estava...

A estátua do relógio...

 

Alpendre.

Forno para grelhar. Sirva-se... Mantenha...

 

Depois do descanso, seguimos, agora já em caminho conhecido, pelos cedros e, seguindo as mariolas, até aos 836m. Pudemos apreciar, do outro lado da margem, o caminho depois da ponte de Servas, até à casa do doutor no curro da Tribela. A partir daí foi sempre a descer até ao Poço Azul.

O curral da Tribela ao longe.

A subir até aos 836m.

 

O Poço Azul continuava com o seu encanto. Demos os mergulhos da praxe e, depois do almoço na sombra do abrigo, fizemos o caminho de regresso.

Ponte do tronco.

Os três irmãos.

 

Milhões de anos depois...

Carvalho da rocha.

 

Caucão.

Charco do azevinho: mude de margem.

 

Abrigo do Poço.

Exemplar de azevinho selvagem.

 

O Poço...

Profundidade: 7 metros.

 

Este caminho tem uma vantagem (no meio de tantas desvantagens): é que a volta é praticamente sempre a descer e, como se costuma dizer, "a descer, todos os santos ajudam...".

O regresso.

Avenida dos cedros.

 

Na descida, depois do curral do Pinhô, tivemos a oportunidade de apreciar melhor toda a paisagem magnífica que nos rodeava. E que paisagem!

Fafião ao longe.

A descer todos os santos ajudam...

 

Apesar disso, podemos dizer que este percurso não é recomendado para pessoas com pouca preparação física (a tal experiência, mas física).

Lá ao longe, o fojo.

Regresso à foz do Conho.