|
A
informação
seguinte foi retirada do site da
Arqueosítios.
Ponte
da Idade Média
Lugar:
Misarela ; Freguesia: Ferral ; Concelho: Montalegre
Latitude:
524,7 ; Longitude: 209,4 ; Altitude: 314m
Acesso:
Cerca de 1 km para
Sul de Sidrós o acesso faz-se a pé (cerca de 10 minutos), pelo antigo
caminho medieval, a partir da aldeia de Sidrós. A esta acede-se pela
estrada EN 103-8, que liga Venda Nova a Cabril pela central
hidroeléctrica de Vila Nova. O monumento está sinalizado.
Descrição
Arqueológica:
Ponte de tradição
arquitectónica medieval, lançada sobre o rio Rabagão numa garganta
estreita e escarpada, servindo a antiga via de penetração no
baixo-Barroso ao longo do vale do Cávado. Notável pelas características
da sua implantação, chega a parecer uma construção frágil, por contraste
com o vigor dos relevos e vegetação exuberante que a envolvem. É porém
uma obra de excelente execução, solidamente assente nas paredes
graníticas das margens.
Tem um só arco
(Conjunto de aduelas formando uma estrutura arquitectónica curva que
cobre um vão. A forma mais característica no românico é o arco de volta
perfeita) de grande amplitude, quase de volta perfeita, sem qualquer
contrafortagem, apresentando no intradorso os encaixes do cimbre. O
tabuleiro, em cavalete, com guarda pétrea a juzante, é estreito e
lajeado, desviando-se do alinhamento do arco no topo Sudoeste. O aro do
arco apresenta um aparelho (Modo de construir com recurso a
elementos de forma geométrica, cuja disposição e tratamento tomam várias
designações)de grande qualidade mas menos cuidado nos paramentos que
suportam o tabuleiro sobre as margens.
Podendo não ser uma
construção cronologicamente medieval, revela características técnicas e
formais dessa época, substituindo talvez uma ponte mais antiga que a via
que por aí passava exigiria. Ao significado histórico (por aí retirou o
marechal Soult em Maio de 1809, com combates sangrentos na passagem da
ponte), junta-se a espectacularidade da sua implantação, que lhe mereceu
o epíteto popular de "Ponte do Inferno". O monumento e a envolvência
paisagística apresentam-se muito bem conservadas.
Interpretação:
Ponte de fundação
medieval.
Interesse
Arqueológico:
Para além do inegável
valor patrimonial do monumento, a ponte da Misarela detém um inegável
significado histórico-cultural regional.
Classificado, como
Imóvel de Interesse Público (Dec. 42007, de 6-12-1958).
Autor/a:
Luís Fontes
|
Só para confirmar este
percurso, fui à Ponte da Misarela e fiz algumas descobertas. Aqui fica o
relato da viagem.
 |
 |
|
Miradouro. |
A
cascata do rio Rabagão. |
Tem duas hipóteses de
lá chegar, dependendo, cada uma delas, do caminho que quiser tomar a
seguir.
Se só quiser visitar a ponte, tome então este caminho que é mais perto e,
possivelmente, mais bonito:
Siga a estrada E.N.103,
até Ruivães (concelho de Vieira do Minho). Depois de passar os
bombeiros e um pequeno aqueduto, que passa por cima da estrada,
encontra logo à frente uma enorme seta da J.A.E. a indicar a Ponte
da Misarela. Vire aí à esquerda e desça por aí a baixo até chegar a
um entroncamento com uma estrada que vem da direita. Aí vire à
direita e siga essa estrada. Trata-se de uma estrada da E.D.P.,
feita há pouco tempo, e que leva, no final, a um beco sem saída junto à
junção do rio Rabagão com o rio Cávado. A meio, chega à entrada de um
túnel da E.D.P., em construção. Siga sempre para baixo,
tendo cuidado com as pedras e com os trabalhos, se for à semana. Quando
chegar a uma curva junto de dois postes de alta tensão, pare
e estacione. Daqui para a frente só a pé. Siga o carreiro que
tem início na estrada. Passado, mais ou menos, um quilómetro, chega à
ponte da Misarela, tendo sempre por companhia o rio Rabagão.
Indo pela E.N.103, que
liga Braga a Chaves, vire na barragem de Venda Nova. No
primeiro entroncamento (Ferral), vire à esquerda, em direcção à
Central da Vila Nova, e siga por aí a baixo. Alguns quilómetros à
frente, vai encontrar um outro entroncamento. Aí já surge a
primeira indicação para a ponte da Misarela. Vire à esquerda
e vá por aí a baixo. Logo a seguir passa por um excelente exemplar do
tradicional espigueiro, em pedra. Vá com atenção às placas.
Primeiro passa pela povoação de Vila Nova e, quando chegar a
Sidros, mesmo junto à placa, encontra, do lado esquerdo, uma
estrada estreita em paralelo. É por aí. Vai chegar a uma
capelinha. Estacione em frente da capelinha e diga adeus ao
carro por umas horas. Vai poder ver a tal estrada do ponto um e o sítio
aonde ela acaba.
Depois de se munir com
o respectivo saco do almoço, comece a descida. Vá apreciando a
paisagem agreste que o vai circundando. Ao fundo começa a ver a
ponte e o rio Rabagão, estreito, que se abre no início das águas da
albufeira. Vai chegar a um miradouro de onde poderá apreciar a
tal junção dos dois rios, ao fundo. Aí toma um dos seguintes caminhos:
Do lado esquerdo
é a estrada, sem aventura. Desça devagar e vá cumprimentando as
pessoas que admiram a sua coragem. Vai chegar, passado pouco tempo, ao
largo da ponte;
Do lado direito,
vai descer por um carreiro que no Inverno se transforma quase num rego
de água. É muito mais emotivo, mas cuidado para não resvalar. Chegará,
se a sorte o acompanhar, ao mesmo largo de que falei em cima.
Nesse largo, mesmo
antes da ponte, existe um muro com uma entrada constituída por um
portão de ferro, ferrugento, e encimado com uma grande pedra. Não
faço a mínima ideia para o que servia. Se souber ou se perguntar, mande-me
um mail.
 |
 |
|
Ponte
do Diabo! |
O
Vale do Rabagão. |
Suavemente
comece a atravessar a ponte, tendo presente a lenda da Ponte da Misarela ou do Diabo:
Quando uma mulher perde
os filhos que gera, deve socorrer-se do sobrenatural. No fim da gravidez,
à meia noite, devia-se aproximar da ponte e aguardar pelo primeiro
transeunte do novo dia. Aí, pedia-lhe para baptizar o futuro filho para,
assim, nascer perfeito e de boa saúde. Era então baptizado: se fosse
menino chamar-se-ia Gervásio, se fosse menina, então o seu nome já
seria Senhorinha.
Regularmente todos os
Gervásios e Senhorinhas deste país aí se reúnem para celebrar, de algum
modo, esta lenda que, possivelmente, lhes terá salvado a vida.
 |
|
Apreciando o ar puro... |
Explore a área circundante,
tire fotos, filme mas não estrague nada.
Admire o vão da ponte e perceba porque se chama Ponte do Diabo... Só o
diabo para conseguir construir àquela altura.
Se tiver tempo, vontade e se for no Verão, desça o riacho
até chegar à albufeira e reconforte-se com um bom banho. Cuidado com os
fundões.
O caminho de regresso é feito pelo mesmo sítio,
isto é pela direita da ponte ou pela esquerda. |