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Ponte da Misarela: ponte do Diabo. (Descrição anterior)

Mais informações...

Ponte da Misarela: Ponte do Diabo...

A Lenda da Ponte da Misarela

Só para confirmar este percurso, fui à Ponte da Misarela e fiz algumas descobertas. Aqui fica o relato da viagem.

 

Miradouro.

A cascata do rio Rabagão.

Tem duas hipóteses de lá chegar, dependendo, cada uma delas, do caminho que quiser tomar a seguir.

Se só quiser visitar a ponte, tome então este caminho que é mais perto e, possivelmente, mais bonito:

Siga a estrada E.N.103, até Ruivães (concelho de Vieira do Minho). Depois de passar os bombeiros e um pequeno aqueduto, que passa por cima da estrada, encontra logo à frente uma enorme seta da J.A.E. a indicar a Ponte da Misarela. Vire aí à esquerda e desça por aí a baixo até chegar a um entroncamento com uma estrada que vem da direita. Aí vire à direita e siga essa estrada. Trata-se de uma estrada da E.D.P., feita há pouco tempo, e que leva, no final, a um beco sem saída junto à junção do rio Rabagão com o rio Cávado. A meio, chega à entrada de um túnel da E.D.P., em construção. Siga sempre para baixo, tendo cuidado com as pedras e com os trabalhos, se for à semana. Quando chegar a uma curva junto de dois postes de alta tensão, pare e estacione. Daqui para a frente só a pé. Siga o carreiro que tem início na estrada. Passado, mais ou menos, um quilómetro, chega à ponte da Misarela, tendo sempre por companhia o rio Rabagão.

Indo pela E.N.103, que liga Braga a Chaves, vire na barragem de Venda Nova. No primeiro entroncamento (Ferral), vire à esquerda, em direcção à Central da Vila Nova, e siga por aí a baixo. Alguns quilómetros à frente, vai encontrar um outro entroncamento. Aí já surge a primeira indicação para a ponte da Misarela. Vire à esquerda e vá por aí a baixo. Logo a seguir passa por um excelente exemplar do tradicional espigueiro, em pedra. Vá com atenção às placas. Primeiro passa pela povoação de Vila Nova e, quando chegar a Sidros, mesmo junto à placa, encontra, do lado esquerdo, uma estrada estreita em paralelo. É por aí. Vai chegar a uma capelinha. Estacione em frente da capelinha e diga adeus ao carro por umas horas. Vai poder ver a tal estrada do ponto um e o sítio aonde ela acaba.

Depois de se munir com o respectivo saco do almoço, comece a descida. Vá apreciando a paisagem agreste que o vai circundando. Ao fundo começa a ver a ponte e o rio Rabagão, estreito, que se abre no início das águas da albufeira. Vai chegar a um miradouro de onde poderá apreciar a tal junção dos dois rios, ao fundo. Aí toma um dos seguintes caminhos:

Do lado esquerdo é a estrada, sem aventura. Desça devagar e vá cumprimentando as pessoas que admiram a sua coragem. Vai chegar, passado pouco tempo, ao largo da ponte;

Do lado direito, vai descer por um carreiro que no Inverno se transforma quase num rego de água. É muito mais emotivo, mas cuidado para não resvalar. Chegará, se a sorte o acompanhar, ao mesmo largo de que falei em cima.

Nesse largo, mesmo antes da ponte, existe um muro com uma entrada constituída por um portão de ferro, ferrugento, e encimado com uma grande pedra. Não faço a mínima ideia para o que servia. Se souber ou se perguntar, mande-me um mail.

 

Ponte do Diabo!

O Vale do Rabagão.

Suavemente comece a atravessar a ponte, tendo presente a lenda da Ponte da Misarela ou do Diabo:

Quando uma mulher perde os filhos que gera, deve socorrer-se do sobrenatural. No fim da gravidez, à meia noite, devia-se aproximar da ponte e aguardar pelo primeiro transeunte do novo dia. Aí, pedia-lhe para baptizar o futuro filho para, assim, nascer perfeito e de boa saúde. Era então baptizado: se fosse menino chamar-se-ia Gervásio, se fosse menina, então o seu nome já seria Senhorinha.

Regularmente todos os Gervásios e Senhorinhas deste país aí se reúnem para celebrar, de algum modo, esta lenda que, possivelmente, lhes terá salvado a vida.

 

Apreciando o ar puro...

Explore a área circundante, tire fotos, filme mas não estrague nada.

Admire o vão da ponte e perceba porque se chama Ponte do Diabo... Só o diabo para conseguir construir àquela altura.

Se tiver tempo, vontade e se for no Verão, desça o riacho até chegar à albufeira e reconforte-se com um bom banho. Cuidado com os fundões.

O caminho de regresso é feito pelo mesmo sítio, isto é pela direita da ponte ou pela esquerda.

Outras informações...

A informação seguinte foi retirada do site da Arqueosítios.

 

Ponte da Idade Média

Lugar: Misarela ; Freguesia: Ferral ; Concelho: Montalegre

Latitude: 524,7 ; Longitude: 209,4 ; Altitude: 314m

Acesso:

Cerca de 1 km para Sul de Sidrós o acesso faz-se a pé (cerca de 10 minutos), pelo antigo caminho medieval, a partir da aldeia de Sidrós. A esta acede-se pela estrada EN 103-8, que liga Venda Nova a Cabril pela central hidroeléctrica de Vila Nova. O monumento está sinalizado.

Descrição Arqueológica:

Ponte de tradição arquitectónica medieval, lançada sobre o rio Rabagão numa garganta estreita e escarpada, servindo a antiga via de penetração no baixo-Barroso ao longo do vale do Cávado. Notável pelas características da sua implantação, chega a parecer uma construção frágil, por contraste com o vigor dos relevos e vegetação exuberante que a envolvem. É porém uma obra de excelente execução, solidamente assente nas paredes graníticas das margens.

Tem um só arco (Conjunto de aduelas formando uma estrutura arquitectónica curva que cobre um vão. A forma mais característica no românico é o arco de volta perfeita) de grande amplitude, quase de volta perfeita, sem qualquer contrafortagem, apresentando no intradorso os encaixes do cimbre. O tabuleiro, em cavalete, com guarda pétrea a juzante, é estreito e lajeado, desviando-se do alinhamento do arco no topo Sudoeste. O aro do arco apresenta um aparelho (Modo de construir com recurso a elementos de forma geométrica, cuja disposição e tratamento tomam várias designações)de grande qualidade mas menos cuidado nos paramentos que suportam o tabuleiro sobre as margens.

Podendo não ser uma construção cronologicamente medieval, revela características técnicas e formais dessa época, substituindo talvez uma ponte mais antiga que a via que por aí passava exigiria. Ao significado histórico (por aí retirou o marechal Soult em Maio de 1809, com combates sangrentos na passagem da ponte), junta-se a espectacularidade da sua implantação, que lhe mereceu o epíteto popular de "Ponte do Inferno". O monumento e a envolvência paisagística apresentam-se muito bem conservadas.

Interpretação:

Ponte de fundação medieval.

Interesse Arqueológico:

Para além do inegável valor patrimonial do monumento, a ponte da Misarela detém um inegável significado histórico-cultural regional.

Classificado, como Imóvel de Interesse Público (Dec. 42007, de 6-12-1958).

Autor/a: Luís Fontes