Aqui está um óptimo
passeio para a família.
Seguindo pelo S.
Bento da Porta Aberta
(onde pode fazer as suas promessas ao santo para que faça
desaparecer os cravos das mãos oferecendo os cravos - flores) e
passando pelo
Campo do Gerês, chega ao entroncamento que leva ou através da
estrada florestal até à
Portela do Homem, virando à direita, (caminho que pode ser
feito a pé, de bicicleta ou automóvel [excepto no verão que tem de ser
sempre a andar] e que se constitui como um excelente passeio de fim de
semana com passagem por escarpas, rios, floresta densa, pequenos lagos
artificiais e naturais e tendo como companhia do lado esquerdo, a
albufeira da barragem do rio Homem [Vilarinho da Furna]) ou até à barragem
de Vilarinho da Furna, à esquerda. Deve optar, neste circuito, virar à
esquerda, tomando a estrada de alcatrão que o encaminhará à aventura.
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Vista
parcial da barragem. |
Passados alguns
minutos, chega à barragem. Esta barragem foi inaugurada 21 de Maio de
1972 e constitui um aproveitamento da bacia hidrográfica do rio Homem. A
barragem não é possuidora de central geradora eléctrica sendo apenas uma
represa de água que é depois encanada e enviada para a barragem da
Caniçada através de larguíssimos tubos. Podem-se ver esses tubos e
respectiva central quando se vem na estrada que liga Vilar da Veiga às
Termas do Gerês. Curioso é que depois de utilizada a água volta a ser
bombeada para a albufeira da barragem de Vilarinho das Furnas
proporcionando, à saída dos tubos que as trouxeram de volta, cascatas de
grande aparato e beleza.
Bom, deixe aqui o
seu automóvel e prepare-se para o caminho. Atravesse a barragem,
admirando a paisagem magnífica que a absorve, e vire à direita no
fim da mesma. Siga o caminho, a estrada de terra batida, ladeando
sempre o rio, agora na outra margem. Ao chegar ao entroncamento,
vire à direita (se virar à esquerda vai ter à entrada do tubo que trás
a água da albufeira da barragem da Caniçada, conforme já referi em cima.
Cuidado, há um certo perigo nesta opção). Siga sempre o caminho largo
e em bom estado que o vai levar directamente a Vilarinho da Furna. A
meio terá oportunidade de passar por cima de um pontão em cimento
apreciando o ensurdecedor barulho da cascata artificial conseguida pelo
retorno das águas da barragem, vindas da albufeira da Caniçada.
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Pontão
e queda. |
A
saída vinda do outro lado. |
Passados,
mais ou menos, três quartos de hora, avista Vilarinho das furnas,
num espectáculo que tem tanto de excepcional, devido ao enquadramento
paisagístico, como de fantasmagórico.
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Primeiro
olhar... |
Casas
de Pedra. |
Chegando a Vilarinho,
tenha em atenção estes três pormenores:
1. Cuidado com as
pedras soltas,
se a água estiver em baixo. Já apanhei assim a água, numa das minhas
visitas, e as escorregadelas e pedras soltas eram uma constante;
2. Se estiver a
albufeira cheia, mergulhe, com óculos, mas cuidado com os
fundões. É extremamente perigoso, mas muito bonito. Rapidamente perde
o pé e o fundo transforma-se num buraco escuro e sombrio, que faz arrepiar
os mais destemidos. As ruínas tornam-se fantasmagóricas. De Inverno, só de
fato de mergulho;
3. Lembre-se que
esta povoação era habitada e que as pessoas foram desalojadas em
circunstâncias especiais e dramáticas. Tenha, por isso, respeito para
com as pessoas que durante séculos aqui habitaram e que aqui
mantêm as suas memórias.
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O
respeito necessário. |
D.
Sebastião. |
Em relação a este
respeito e à dor que estas gentes terão sentido aqui fica o poema de
Miguel Torga que retracta o modo de vida simples do povo e a forma como o
sonho acabou:
Requiem
Viam a luz nas palhas
de um curral,
Criavam-se na serra a guardar gado.
À rabiça do arado,
A perseguir a sombra nas lavras,
aprendiam a ler
O alfabeto do suor honrado.
Até que se cansavam
De tudo o que sabiam,
E, gratos, recebiam
Sete palmos de paz num cemitério
E visitas e flores no dia de finados.
Mas, de repente, um muro de cimento
Interrompeu o canto
De um rio que corria
Nos ouvidos de todos.
E um Letes de silêncio represado
Cobre de esquecimento
Esse mundo sagrado
Onde a vida era um rito demorado
E a morte um segundo nascimento.
Miguel Torga
Barragem de Vilarinho
da Furna
18 de Julho de 1976
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Entrada
na loja. |
Vou
namorar... |
Fora isto,
divirta-se, tome banho (de Verão), faça o piquenique da
ordem, visite os restos dos moinhos e os campos de cultivo. Não
estranhe a presença de vacas e de gado caprino. São de uma aldeia próxima.
O regresso é feito pelo
mesmo caminho.
Para mais informações
sintonize-se no site
http://www.geira.pt/MVilarinhoFurnas